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Se hoje não deu certo, quem sabe amanhã
Tudo isso se resolva terminando bem,
Pois se é Deus que conduz não ficará ninguém
Sem ter o seu apoio no seu duro afã.

Sejamos otimistas e a cada manhã
Vamos acreditar e prosseguir além,
Porque se os outros podem, podemos também
Ter muito brevemente a nossa Canaã!…

Seja você operário, sacerdote ou rei,
Não há privilegiados, porque é sempre a Lei,
Que vive a registrar as nossas atitudes…

Se quer ser mais feliz do que você tem sido,
Inspire-se em Jesus e seja parecido
Com Ele e então será um homem de virtudes.

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Se já aprendi de fé, por que me aflijo?
Por que vivo tão tenso e preocupado
Se sei que, dando certo ou dando errado,
Tudo nos leva ao mesmo regozijo?

Por que viver aflito e assim tão rijo,
Tendo o maxilar sempre trancado
E um triste olhar de quem olha embaciado
Esse mal do qual eu nunca me alijo.

A fé  que já conheço me autoriza
A ter mais confiança, pois é juíza
Do bem que eu faça, nesta encarnação…

Se posso confiar na Providência,
Só me resta buscar ter na consciência
Essa paz que serena o coração!

Disseram-me que eu posso ser saudável,
Independente do que beba ou coma,
Bastando basear-me no axioma
Que amor é um alimento insuperável!…

Que eu seja nesta vida sempre amável
E espalhe em meu caminho um doce aroma
Que eu seja de virtudes sempre a soma,
E permaneça ao ódio invulnerável.

Que eu veja o companheiro do caminho
Como um parceiro para que eu sozinho,
Não tenha de viver na solidão…

Se ele é perfeito ou imperfeito,
Quem julga é Deus, pois não tenho o direito
De exigir de ninguém a perfeição!…

Enquanto o policial pensa e planeja
Como deve fazer para enfrentar
O marginal e a droga que viceja,
O crime continua a se espalhar.

Fazem mil reuniões para tentar
Combater esse mal que aí pragueja;
Nós rezamos no templo ante o altar
Para que Deus ajude; e que assim seja!

A polícia tem medo dos bandidos
Pois eles são de armas bem servidos,
Têm o crime orquestrado, são maestros;

E enquanto o policial nos gabinetes
Traça planos, não vê que os alcaguetes,
Dão as dicas dos roubos e seqüestros!…

Às vezes era lá pelas dez horas,
Outras vezes beirava meia-noite,
Andando em meio ao barro eu vinha agora
Da escola sob o frio que era um açoite…

O breu da escuridão até assustava,
Já que eu era um menino em formação,
Por isso cada vulto que passava
Tinha a imagem sinistra de um ladrão.

Os tempos eram bem mais acalmados,
A cidade não era tão violenta,
Mas o mal sempre esteve ao nosso lado,
E o bem constantemente ele afugente.

Nos dias em que a chuva castigava
E a lama impregnava-se em minh’alma,
No intenso lamaçal eu navegava.
E para não cair, ia com calma…

Às vezes, todavia, esse cuidado
Não permitia que eu ficasse em pé
E eu escorregando enlameado,
Esconjurava a minha pouca fé.

O silêncio da noite era cruel
E eu muito tenso, sem respiração,
Caminhava fazendo o meu papel
De alguém que busca a sua formação.

Os pais, dois operários, sem cultura
Mas uma enciclopédia de decência,
Esmeraram-se por esta criatura
Para não terem drama de consciência!…

Se hoje tenho meu lar, minha família,
Meu conforto e tudo o que é saudável,
Foi por eles criarem esta trilha
Do bom caminho e eu sendo responsável.

Não fui mais longe por incompetência
Porque por eles eu seria um doutor
Um homem de destaque na ciência
Um engenheiro, com todo louvor…

O pai que era um pedreiro me dizia:
-Meu filho não será nunca enganado
Pelo operário esperto que sabia
Que o engenheiro é somente alguém formado.

Dê a ele uma colher, massa e tijolo
E peça-lhe que assente para ver
Como lhe falta jeito e até miolo,
Só tem a teoria, não saber fazer.

São lições recebidas de meus pais,
São palavras que guardo na memória,
E hoje quando estou nos dias finais,
Lhes conto revivendo a minha história!

Lá por 1950, na tradicional Vila Guarani, hoje no Metrô Conceição, na capital de São Paulo.

Há quem julgue que eu venci na vida,
Pois nasci em um lar só de operários,
Tão anônimo como um protozoário,
Sem ter do meu país qualquer guarida!

Dizem que a minha luta desmedida
Foi também um exemplo dos calvários
Que vivem os meus correligionários
Quando tentam ganhar esta partida.

Dizem que eu venci porque o dinheiro,
Para os homens, sempre é o que vem primeiro,
Independente de ter ele sido

Alguém que cultivou a honestidade;
Mas quem não vive dentro da verdade,
Não é um vencedor: é um vencido!…

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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