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À sua volta, se unindo em coro,                                 
Em harmonia, aplacando o choro,
Anjos amigos sempre estão por perto.
Moça elegante, de sorriso aberto.

E quando prega o bem, neste deserto,
Mostra da vida sempre o lado certo.
E se lhe lançam pueril desaforo,
Mantém-se altiva, não perde o decoro.

Se externamente é uma mulher catita,
Quando sua alma enche-se de luz,
Interiormente fica mais bonita.

Ao iluminar-se toda vez que fala,
Um grande amor declara ao seu Jesus,
Que o doce Cristo, rindo, vem beijá-la.

Do Livro O Grande Mar 2002 – Editora Idéia-João Pessoa.
Uma homenagem à jornalista e evangélica Tânia Rocha.

Morri e ao chegar no céu
Estava sem celular
E agora,como seria?
Como é que eu iria falar
Com meus amigos, parentes
E todo o monte de gente
Que eu vivia a perturbar?

Nem ao menos Lap Top
Tinha eu ali comigo,
Nem orkut, msn
Para falar com os amigos
Não me ligava na net
Nem tinha um videocassete
Desses que aqui já nem ligo!

MP3, ou que tais
Também eu não tinha ali
Era tudo muito calmo
Nada para divertir
Só havia cantos sagrados
E anjo pra todo lado
Bem diferente daqui.

Disseram-me que eu podia
Usar a mediunidade
Para mandar meus recados
A toda a comunidade;
Um e-mail diferente
Que eu teria, dali pra frente,
Que usar nessa sociedade.

Confesso me apavorei
Sem net e sem celular
Como é que eu vou viver,
Como vou comunicar
Não vou receber torpedo
Daqueles que logo cedo
Chegavam pra me acordar!

Felizmente eu despertei
E tudo isso era mentira
Foi bom para me alegrar
E acabar com toda a ira
Que já se instalava em mim
Depois que cheguei ao fim
Em meio a essa ziguizira.

Mas espero que a experiência
Ponha-me as barbas de molho
Porque nós vemos o mundo
De um jeito todo caolho
Com tanta parafernália
Que espero de nada valha
Quando eu for simples restolho.

Até lá vou preparando
A minha casa  mental,
Pois falar por pensamento
É o que vai ser natural;
E após tirarmos o véu
Até a internet do céu
Vai ser do bem não do mal…

HERMETO LIMA – Pará (1875-1947)

Essa que passa por aí, senhores,
de olhos castanhos e fidalgo porte,
é a princesa ideal dos meus amores,
a mais franzina pérola do Norte.

Contam que, numa noite de esplendores, 
a essa que esmaga o coração mais forte
hinos cantaram e jogaram flores 
as estrelas, em mágico transporte.

Acreditais, talvez, ser fantasia!…
Eu vos direi que não… Em certo dia,
quando ela entrou na festival capela,

eu vi a Virgem mergulhada em pranto,
e o Cristo de Marfim fitá-la tanto, 
como se fosse apaixonado dela!

Se Deus inventou a morte e, é claro, foi ele mesmo, dando a todos igual sorte, ninguém vai morrer a esmo, seja morrendo afogado, enfartado, atropelado ou frito como um torresmo.
O que ninguém se deu conta, e nós temos de saber, é que a morte que hoje afronta é na verdade um prazer, porque é a libertação e juíza de toda ação da vida de cada ser.
Quem vive bem morre bem e quem faz pouco da vida terá de morrer também, fará sua despedida, porém será mais penosa, porque a pessoa orgulhosa vai se agitar na partida.
É a maior lei de igualdade, melhor que a constituição, que nos diz, sem ser verdade, que na vida todos são protegidos seriamente e tratados igualmente, mas é pura embromação.
Morre pobre, morre rico, morre o adulto e a criança e eu já velho aqui fico tendo ainda uma esperança de viver um pouco mais pra ver um mundo de paz e o final desta lambança.
Quem morre sendo imperfeito não voltará para a Terra porque tanto preconceito é um ciclo que aqui se encerra e vai ser extraditado pra mundo mais atrasado lugar que o malvado erra.
Quem aproveitou pra ser caridoso e solidário, agora vai receber o que recebe o otário, porque o esperto coitado, este já está condenado por ser grande salafrário.
Por isso afirmo que a morte é o momento da justiça, cada um com a própria sorte, segundo a sua premissa, não adianta apelação, quebra galho ou proteção nem muita reza com missa.
No final, nesse momento, o que contam são os atos, contra os quais não há argumentos, porque valem mesmo os fatos, e quem tem a boa bagagem, pode seguir a viagem, cheio de dons e de ornatos.
E em cima da lousa fria não adianta escrever, que foi um homem de bem, porque só Deus vai saber se ele tem paz na consciência e então mostrará clemência no dia que o receber!

Num treze de novembro, logo cedo,
Desembarcava eu aqui de novo,
Para ser um a mais em meio ao povo
Que trava grande luta, sem ter medo…

Eu sabia que não teria sossego,
Comeria somente arroz e ovo,
Mas se eu vinha até aqui de sangue novo,
Pela vida teria um grande apego!…

Eu estava feliz por ter chegado
E por Deus eu ter sido contemplado
Para ir dissipando todo o véu

Que acoberta esta nossa ignorância,
Pois somente através de nova infância
Construímos caminhos para o Céu!… 

Por que uns são felizes outros não?
Por que uns têm na vida só riqueza,
Enquanto outros vivem na pobreza,
Na penúria ou mesmo em solidão?

Uns nascem já cobertos de nobreza
E outros serviçais, limpando o chão…
Um preside o destino da nação
E um outro sequer pão tem sobre a mesa!…

Seria a consequência de um passado
Que vivemos e, após ter muito errado,
Voltamos nesta nova encarnação?

Afinal, se outra vez somos crianças,
É para renovar-nos de esperanças,
Já que Deus concedeu-nos seu perdão!

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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