Por que é que o nordestino
Odeia tanto o sulista,
Seja ele um carioca,
Um gaúcho ou um paulista,
Olhando tudo ao contrário,
Vendo o que é belo cenário
Com falso ponto de vista?

Buscam no sul hospitais
E também fazem mestrado
Além de outras graduações,
Como é o doutorado,
Vão tomar banho de loja,
Mas dizem que o sul enoja
Contando que é maltratado!

O sul recebe tão bem
O nordestino que vai
Procurar o seu futuro
Onde chega a virar pai,
Compondo a sua família
Educando filho e filha
Vivendo feliz demais!

Só quem foi e vive lá
Entende o que digo agora;
Pergunte se quer voltar
E viver como era outrora
Ou prefere enfrentar frio,
Mantendo filhos sadios,
Nem pensando em ir embora!…

Comentários desairosos
Demonstram falta de zelo;
Dão a impressão de ser
Pura dor de cotovelo,
Inveja e mesmo pobreza
De alma, pura fraqueza
Por não ter o que quer tê-lo.

Pode voltar num passeio
Porque é justo ter saudade
Da terra onde a gente nasce
E tem raiz de verdade,
Mas em vez de sofrimento,
Onde falta até alimento
Prefere a grande cidade…

Tudo na vida é assim
São dois pratos na balança
Um pesa os prós outro os contras,
O sabe qualquer criança,
Mas ninguém fica contente
Ao enfrentar o batente
Se não houver esperança.

Nomes famosos da história
Saíram deste nordeste
Por isso é que são chamados
Por aqui cabras da peste;
Ocuparam posições
Foram homens de expressões,
Isto não há quem conteste.

Em todas as áreas que há
Comércio e literatura,
Na política ou ciência
Esbanjaram a cultura,
Mostrando que o nordestino
É forte desde menino
Até ir pra sepultura!

Não falem mal de ninguém
Seja do sul ou do norte
Porque em qualquer lugar
Todos podem ter boa sorte;
Ninguém nasce onde deseja,
Mas se Deus quer que assim seja
Vamos viver com aporte.

Quem fala mal do sulista
É porque tem boa mama
Nas tetas do seu governo,
Deitado em macia cama
Enquanto escreve bobagem
Cultiva a vagabundagem
Sem nem tirar seu pijama!

Tivesse enfrentado a seca
E precisado correr,
Viajando lá para o sul,
Passando então a comer,
Não cuspiria no prato
Não seria autor do ato
Da injustiça e maldizer!

Eu sou sulista e me orgulho,
De São Paulo, capital,
Onde sofri por ser pobre,
Mas pude vencer o mal,
Hoje moro em João Pessoa
Cidade igualmente boa,
E tenho vida normal.

Há treze anos cheguei!…
Tenho amigos, conhecidos,
Participo de sua vida
Já que fui bem recebido,
Sou Cidadão Paraibano
E ainda tenho meus planos
Confesso-lhes comovido!

Mas neste final de versos
Peço-lhes muito gentil:
Não falem mal dos patrícios,
Irmãos sob o manto anil,
Sejam do norte ou do sul,
Porque é o mesmo céu azul
Que cobre o nosso Brasil!…

Cada um fique na sua,
Feliz com a vida que tem,
Deixe o outro com sua paz
Nunca critique ninguém
E eu rogarei a Deus
Para que abençoe os seus
Passos nesta vida! Amém!

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