Se Deus inventou a morte e, é claro, foi ele mesmo, dando a todos igual sorte, ninguém vai morrer a esmo, seja morrendo afogado, enfartado, atropelado ou frito como um torresmo.
O que ninguém se deu conta, e nós temos de saber, é que a morte que hoje afronta é na verdade um prazer, porque é a libertação e juíza de toda ação da vida de cada ser.
Quem vive bem morre bem e quem faz pouco da vida terá de morrer também, fará sua despedida, porém será mais penosa, porque a pessoa orgulhosa vai se agitar na partida.
É a maior lei de igualdade, melhor que a constituição, que nos diz, sem ser verdade, que na vida todos são protegidos seriamente e tratados igualmente, mas é pura embromação.
Morre pobre, morre rico, morre o adulto e a criança e eu já velho aqui fico tendo ainda uma esperança de viver um pouco mais pra ver um mundo de paz e o final desta lambança.
Quem morre sendo imperfeito não voltará para a Terra porque tanto preconceito é um ciclo que aqui se encerra e vai ser extraditado pra mundo mais atrasado lugar que o malvado erra.
Quem aproveitou pra ser caridoso e solidário, agora vai receber o que recebe o otário, porque o esperto coitado, este já está condenado por ser grande salafrário.
Por isso afirmo que a morte é o momento da justiça, cada um com a própria sorte, segundo a sua premissa, não adianta apelação, quebra galho ou proteção nem muita reza com missa.
No final, nesse momento, o que contam são os atos, contra os quais não há argumentos, porque valem mesmo os fatos, e quem tem a boa bagagem, pode seguir a viagem, cheio de dons e de ornatos.
E em cima da lousa fria não adianta escrever, que foi um homem de bem, porque só Deus vai saber se ele tem paz na consciência e então mostrará clemência no dia que o receber!

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