Meu caro Jesus Cristo diga aos ricos,
Que tanto exploram homens miseráveis,
Que suas atitudes condenáveis,
E o progresso fincado em mexericos,
Preocupa-me. Por isso, aqui suplico,
A rogar-te Jesus, meu caro Mestre,
Que lhes dêem toda ajuda os seus ancestres
Para não precisar chorar mais tarde
Nem queimar nesse fogo que hoje arde,
E atinge a todos nós, pobres terrestres.

Toda ação que se faz gera reação.
Quem o mal faz aos outros guarda em si
O resquício da dor, porque ao ferir,
Deixa marcas no próprio coração.
E da lei mais comum da criação,
Receber de retorno o que for feito,
Pois aquele que não mostra respeito
E enriquece-se à custa da miséria
Saiba bem que depois desta matéria
Não será para Deus um dos eleitos.

Este mundo é apenas o começo
De um longo caminhar à eternidade
E quem, portanto, agir com leviandade,
Vai ter de levantar-se dos tropeços
Porque é bem diferente o endereço
Das moradas do homem que é feliz;
Não é assim como todo mundo diz,
Que é preciso ter vida aproveitada,
Porque depois da morte não há nada;
Não creia porque a carne é só verniz.

A essência do que somos é da alma;
O corpo é uma prisão que neste mundo
Vai-nos dando saber justo e fecundo,
Se soubermos viver nele com calma,
Fazendo da virtude a nossa palma,
Com respeito, carinho e bem-querer;
Se o fizer não terá mais de sofrer,
Nem será tão cobrado pela vida,
Sentirá a leveza na subida,
Como em belo arrebol do entardecer.

Ah!, se o rico, Jesus, compreendesse,
As lições que são claras no Evangelho
Não iria esperar ficar tão velho
Até que nesta vida padecesse.
Muito antes que ele envelhecesse
Buscaria tirar o denso véu,
Libertando-se desse fogaréu
Que existe em suas vidas desregradas,
Porque ao nascer, a nova madrugada,
Traz nela a decisão: Inferno ou Céu!…

Anúncios