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Flutua a garça no amplo céu azul.
Batendo as asas, com suntuosidade.
Segue na arribação, destino ao sul,
Como um inseto, ante a imensidade!

Junto ao seu bando, um harmonioso pool,
Procura a terra da fertilidade…
Tremula as penas com seu ar taful,
E as amplas asas dão-lhe suavidade!

Oh! garça branca, que pode voar,
E deslocar-se sem ninguém que a prenda,
Numa corrente, solta pelo ar!…

Quem sabe um dia, após muitas desasas,
Com mais sorte que o ícaro da lenda,
Voarei, também, com as minhas próprias asas!

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Quando o homem se senta à frente da direção de um auto, sofre milagrosas transformações que surgem num minuto: 

O baixinho fica grande;
O covarde vira valente;
O equilibrado enlouquece;
O calmo vira apressado;
A mulher vira homem;
O educado vira boçal;
O pião vira doutor;
O medíocre vira ás;
O cordeiro vira leão;
O discreto fica arrogante;
O sem teto vira dono da rua. 

Muitas outras mudanças se dão que poderíamos mencionar. Mas a intenção e lembrar que temos dentro de nós uma fera que se aloja aí pela altura da barriga. Quando estamos no volante ele sobe e chega a sair pela boca. Precisamos aprender a puxá-la pelo rabo fazendo-a descer novamente até o ventre para que ela não ataque quem não tem culpa pelo nosso desequilíbrio.

No descaminho das loucas fantasias,
Onde residem as emoções mais delirantes,
Se tateante e atordoado te permeias.
E te entregas, voluntário às suas teias,
Já despertando “presa” agonizante,
Goma grudenta a adesivar-te os dias.

Nem sabes bem se te entregas ou resistes,
À peçonha que te suga o sangue.
Pois embora tua seiva se esvaindo,
O que vês é o Paraíso a ti se abrindo,
Mesmo atolado no lodo do mangue,
Nada registras e por isto insistes.

E então num misto de exaustão e insônia.
Amargura, medo, tédio e solidão,
Por breve tempo angustiado choras.
Mas, retornando à abstração te julgas ora,
ter encontrado as construções de Salomão
Ou que te fosses rei da Babilônia

Natalino Pereira
8/10/2005

Tenho um amigo dileto
Lá na casa da poesia,
Que me trata com afeto
E com muita cortesia!…

É um poeta discreto,
Que compõe no dia a dia
Poemas do seu trajeto,
Com verdade e fantasia…

Ele é Dornélio Barbosa
Meira, alma caridosa
E de muita inspiração!

É bom ter amigo assim,
Pois é o que vale, por fim,
Nesta peregrinação!

Rogaciano Bezerra Leite – PE

Quando falas porque vivo sorrindo
Falas também por eu viver cantando
Se a vida é bela e se este mundo é lindo
Não há razão para eu viver chorando

Cantar é sempre o que a fazer eu ando
Sorrir é sempre o meu prazer infindo
Se canto e rio é porque vivo amando
Se amo e canto é porque vivo rindo.

Se o pranto morre quando nasce o canto
Eu canto e rio pra matar o pranto
E gosto muito de quem canta e ri

Logo bem vês por estes dotes meus
Que quando canto, estou pensando em Deus
E quando rio, estou pensando em ti.

Quando me for, não quero estar
Tão longe que me esqueças.
Também não vou me aproximar
Tão perto que te aborreças.

Mas quero estar no teu sorriso
Nos teu sonho colorido
Nas tuas dificuldades
É quando estarei contigo.

E sei que vou estar vivo,
Ainda que em desencorpo.
E o casulo abandonado,
Apodrecendo no horto.

E pra que serve um casulo
Se o locatário não esteja?
Mais uma metamorfose
O devolve à natureza.

Vou colher o meu plantio
Conferir trato dos ninhos
Muitas rosas perfumadas
Ou brotos secos de espinhos.

Vou rever todos meus atos
Não o que disse. O que fiz.
Meu discurso proferido
É quem será meu juiz

É o planar da borboleta
Com as asas da virtude
Ou o voo da galinha
Com o peso do estrume

Falando mente pra mente
Sem email ou banda larga
Sem celular “fora de área”
Da bateria sem carga.

Considere isto normal
Que um dia este nó desate
Mas te suplico um favor
Quando eu morrer, não me mate.

Natalino Pereira 9/12/05

Escrito 3 dias antes do desencarne de Miguel Pereira, irmão do poeta e um dos fundadores do Grupo Espírita “Os Mensageiros”.

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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