No descaminho das loucas fantasias,
Onde residem as emoções mais delirantes,
Se tateante e atordoado te permeias.
E te entregas, voluntário às suas teias,
Já despertando “presa” agonizante,
Goma grudenta a adesivar-te os dias.

Nem sabes bem se te entregas ou resistes,
À peçonha que te suga o sangue.
Pois embora tua seiva se esvaindo,
O que vês é o Paraíso a ti se abrindo,
Mesmo atolado no lodo do mangue,
Nada registras e por isto insistes.

E então num misto de exaustão e insônia.
Amargura, medo, tédio e solidão,
Por breve tempo angustiado choras.
Mas, retornando à abstração te julgas ora,
ter encontrado as construções de Salomão
Ou que te fosses rei da Babilônia

Natalino Pereira
8/10/2005

Anúncios