A Oliveira de Panelas
Parabéns pelos 58 anos – 24/5/2004 

Foi por sorte que tive a idéia um dia
De presenteá-lo com meus parcos versos,
E mostrar-lhe o meu mundo onde hoje, imerso,
Extasio-me e respiro poesia.
Um transtorno causar-lhe eu não queria,
Mas você, caro Oliveira Francisco
De Melo, que Deus guarda em seu aprisco,
Conhecido que é hoje por Panelas,
Pelo etéreo, por céus e por vielas,
Generoso, gostou dos meus rabiscos…

E agora, 24, mês de maio!
Veio-me à mente que em 46,
Deus se encheu de alegria, inda uma vez,
E tirou de seu magno balaio
Uma luz que na Terra, como um raio,
Transformou um corpo inerte num poeta,
Para ser no poema um grande asceta;
O batismo lhe pôs nome Oliveira,
Como a planta perene e verdadeira,
Das lavouras divinas mais seletas.

Oliveira, bela árvore do horto,
Onde o Cristo, à sombra, ia repor
Os desgastes das lutas, do amargor,
Fazendo do lugar seguro porto;
Mas depois, maltratado, preso e morto,
Deixou as oliveiras lá feridas,
Todas elas em pranto, entristecidas,
Mas que hoje, em suas veias, nobre vate,
Vêem fluir toda a seiva, em seu quilate,
Nas mensagens do gênio, revividas.

Nunca fui, Oliveira, um repentista,
Nunca fiz os meus versos de improviso;
E é talvez por mostrar muito juízo
Que na arte do repente eu não invista…
Porém hoje acordei de boa crista
E lembrei-me de ir ao dicionário
Pesquisar e arranjar vocabulário,
E tentar ver se posso, sem ufanos,
Saudar os seus cinqüenta e oito anos,
Nesta festa do seu aniversário.

Desculpe pelo meu atrevimento
De querer fazer verso em seu louvor,
Pretendendo mostrar-me trovador,
E você rir de mim neste momento,
Mas confio que o seu bom sentimento,
Irá compreender minha intenção;
Só desejo deixar a saudação
De um amigo que lhe é agradecido
Por tudo o que já tem me oferecido;
Parabéns, grande poeta e meu irmão.

Que a cabeça mantenha a mesma luz
Do sempre generoso coração,
Que possa planger muito o violão,
Ornando de beleza a própria cruz;
Faço tais rogativas a Jesus,
Pintando em cores vivas de aquarela,
E espero que você se nutra delas;
Findando, vou dizer, por amizade:
Deus o abençoe, lhe dê felicidade.
Caro amigo, Oliveira de Panelas!

a) Octávio Caúmo Serrano

 

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