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Na cidade que eu moro é só tristeza,
Mas na festa de um novo fim de ano
Nós vamos arquivar os desenganos
E tudo há de ficar uma beleza.

Embora viva a vida em singeleza,
O homem, queira ou não, é um ser profano,
Por isso ele se enreda em seus enganos
E nunca tem de nada uma certeza.

Cada vez que se altera o calendário,
Voamos pelo nosso imaginário,
E fazemos promessas de improviso…

Gostaríamos de ser melhor que somos,
Porém creio que em nossos cromossomos
Não existe a partícula do juízo.

 

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Todos querem adivinhar sobre o final da trama da novela Passione.

Também tenho o direito, mesmo sem ser noveleiro, de ver a coisa do meu jeito.

Vamos lá:

Será que o Totó morreu mesmo? Não houve cenas mostrando o corpo depois que foi para o Instituto Médico Legal.

Quando o Diogo entrou na casa do Totó, teve tudo para matá-lo quando ele implorava clemência. Mas forjou a cena do corpo a corpo, a arma caiu e Totó a empurrou para Clara, pedindo que atirasse. Ela atirou nele, propositadamente, mas as balas seriam de festim, porque foi cena preparada por Diogo.

Mas Diogo não é cúmplice de Clara?

Penso que não.

Creio que Diogo é um detetive ou policial ou alguém que colabora a pedido de Totó, por alguma razão, para  desmascarar Clara, em quem Totó nunca confiou depois que ela tentou matá-lo na Toscana. Fingiu reconciliar-se, perdoá-la, dificultou para valorizar a cena, mas, na verdade, queria mesmo é botá-la atrás das grades. Até as brigas do Diogo com Totó, simulando ciúmes, foram feitas para que Clara tivesse mais credibilidade em Diogo e o usasse para se dar bem.

Se não é isso, para quem o delegado telefonou dizendo que Clara já havia estado na Delegacia e que ela é uma “cara de pau”. Ou para Totó ou para Diogo. O mais provável é Diogo, porque a cena foi tramada com ele. Digo mais. Naquela discussão no apartamento do Diogo quando ele dá uma prensa nela insinuando que ela desejava incriminá-lo, devia haver um gravador ligado para registrar a declaração dela, como prova cabal. Fora isso, seria a palavra de um contra a do outro.

No final, os vilões Clara e Fred, que vivem se agredindo, devem mesmo ir para o mesmo lugar. O xilindró.

Se minhas conclusões estão todas furadas, deixa pra lá. É só especulação. E que o autor me perdoe por dar pitaco na sua história!

Por que presidentes, governadores e prefeitos usam de manobras políticas para ter maioria nas casas do legislativo? Se os projetos nascidos ali, ou enviados pelos executivos, são de interesse na sociedade, porque é indispensável ter aliados para julgar as mensagens. Se o eleitor colocou lá esses senhores, eles são empregados do povo, que lhes paga os salários; bem polpudos, por sinal.

Pelo que aprendi nesses 76 anos de vida, é que o povo – mais conhecido como uma porção de ninguém – não conta. Que importa se o projeto aprovado vai ou não beneficiar a população. O importante é que encha o bolso dos legislativos e dos executivos. Quem afirma isso não sou eu, é a mídia.

Legislativo e executivo só estão de acordo quando se trata de obter benefícios mútuos. Veja como todo fim de ano, rapidinho, eles aprovam reajuste dos próprios ganhos. Sempre há quorum, situação e oposição pensam com a mesma cabeça, tudo numa orquestração altamente harmonizada. Deve ser o espírito de Natal que faz com que PMDB, PSDB e PT se abracem e se amem.

Ao começar o novo ano, as brincadeiras e as gentilezas se acabam e eles, agora com os bolsos mais recheados, colocam de novo a máscara de defensores públicos, fingindo que cuidam dos interesses das pessoas comuns. E quando os vemos falar com vigor e altivez, quase que nos deixamos enganar, chegando a imaginar que aquilo é sério. Têm mais poder de cena e representação do que as novelas globais, de tão grande audiência.

Por isso é que pai, filho e neto se perpetuam nesses cargos. O melhor diploma e a melhor profissão é o sobrenome ilustre. Fulano de tal, carismático, indica seu Fulano de Tal Filho que já está preparando o Fulano de Tal Neto. E eles são sempre os mesmos. É verdade que vez ou outra aparecem o Toinho do Sopão na Paraíba, o Tiririca e o Clodovil, em São Paulo, o Popó, na Bahia e outras figuras de vida curta. Um mandato e olhe lá. O grosso é formado por conhecidas dinastias que mandam no país há cinqüenta anos ou mais. Perpetuaram-se no poder. Se por acaso não forem eleitos, serão nomeados. De fora eles não ficam. Faz por mim hoje que amanhã eu faço por você. Esse é o slogan.

Quando ao terceiro poder, o judiciário, não o comprometam. Quem não quiser julgar, pede licença ou se considera impedido. Empurra com a barriga aquilo que é de decisão óbvia, mas que ferirá interesses de quem, mais tarde, eles poderão necessitar. Afinal, nunca se sabe do dia de amanhã e é bom deixar a porta aberta.

É esse o retrato do nosso governo, porque, afinal, vivemos numa DEMOCRACIA. E como todo mundo conhece o idioma grego, sabe que DEMO é povo e não o que vocês pensaram.

 

Quem disse que bom senso é privilegio de alfabetizado. Meu pai o tinha e era totalmente analfabeto. Cultura e sabedoria são qualidades diferentes.

Quando Tiririca disse em campanha que não sabia o que faz um deputado, penso que era sincero. Eu tenho 76 anos, sou alfabetizado e também não sei para que serve um deputado. Provavelmente para compor um Congresso que dê ao mundo a falsa impressão de que somos uma democracia.

Acompanhem. Um deputado inventa um projeto e o submete à apreciação de seus pares. Sempre alguém será contra. Conversa de cá, conversa de lá e, finalmente todos concordam.

Vai para o Senado que, evidentemente, não pretende pôr azeitona na empada da Câmara. Muda aqui, muda ali e decidem concordar. Mandam de volta para os deputados que, novamente, discutem o assunto. E vai pra cá e vai pra lá, como no caso do projeto sobre os aposentados, do Sr. Paulo Paim, que zanzou por mais de cinco anos, quando foi, finalmente, aprovado.

Os velhos exultaram quando a imprensa divulgou, mas enviado ao presidente, ele simplesmente jogou o projeto no lixo, porque o país não suportaria os gastos. Ou seja, cerca de 600 representantes do povo receberam salário, despesas com o staff, auxílio viagem, moradia, transporte, etc., anos e anos, sem saber que o país não pode gastar. Para que serve o Congresso? Assim como o Tiririca, eu também não sei. E o problema não é só eles terem aumentados seus próprios salários no apagar das luzes de 2010, meio na calada da noite. Isso é o de menos. O recheio do bolo, que fica escondido, é que é o problema.

Mas afinal, o Presidente sabe o que faz. Segundo 2002 pessoas ouvidas em 140 municípios – Correio da Paraíba de 17/12/2010 – página A5 – 87% aprovaram nosso Lula, num recorde histórico. “Nunca se viu antes na história deste país”.

Ao fazer conta vi que temos no continente Brasil 5565 municípios para quase 200 milhões de pessoas. Foram ouvidas 2002, maiores de 16 anos, – 0,001% da população – em 140 municípios – 2,51% das cidades -.

Uma média, segundo interpretei pelo texto do Correio, de 15 pessoas por município. Será que entre esses 15 não havia um aposentado descontente, um professor, um acidentado esperando socorro nos corredores de hospitais, alguém que perdeu um parente em tragédia nas perigosas estradas do país, um médico ou servidor público ou policial em greve por melhores salários e condições de vida, um favelado, um desempregado, um drogado, um traficante, um empresário pagador de impostos escorchantes, um aidético que não recebe remédio do SUS, e outros que tais?

Não tenho dúvida que este país melhorou como nunca antes para o povão, mas talvez os entrevistados fossem apenas os que recebem as famosas bolsas e cestas e tickets e ajudas. Numa pesquisa séria, o presidente teria entre 40 e 60% de aprovação o que seria altamente representativo para um operário que não inspirava confiança e que causava temor aos ricos quando assumiu a presidência e o que ele passou para a sua sucessora. Calou a boca dos descrentes e destacou-se na comunidade internacional. Mas 87% nem Jesus Cristo conseguiu porque sempre alguém é contrariado. E já diz o povo que toda unanimidade é burra!

Esperamos que a sucessora do nosso Lula faça algo semelhante ao que ele fez para continuarmos nos desenvolvendo. Esperamos que ela possa ter, também, por volta de 50% de aprovação do povo. Já será um sucesso. O resto é figuração!

Você critica o drogado
Por crack ou por cocaína,
Por álcool ou por cigarro
Por maconha ou heroína,
Ficando penalizado
Quando vê alguém jogado,
Seja menino ou menina.

Realmente é muito triste,
Porém existe razão
Para que seres humanos
Vivam nesta alienação,
Perdendo o próprio respeito
Sem fazer nada direito,
Sem pensar na evolução.

Isto começa, talvez,
Por um erro de família,
Onde os pais gananciosos
Esquecem de filho e filha
Só buscando se dar bem,
Ganhar dinheiro e também
Caem na mesma armadilha…

Há traficantes que vendem
As drogas convencionais
Outros traficam ilusão
Que são os bens materiais,
O celular mais moderno
Grife do sapato ou terno
E outras besteiras que tais.

Carro só se for de luxo
Com GPS e com friso,
Além dos demais controles
Que jamais serão preciso
Para mostrar  a quem passa
Que ali vai o rei da praça,
Um imbecil bem conciso…

O relógio tem de ter
Hora da Rússia ou Japão,
Além da temperatura
Se vai fazer frio ou não,
Que ele jamais vai usar,
Só a hora vai olhar
Sem maior preocupação.

O gordo quer virar magro,
O magro quer engordar
O branco quer ser escuro
E o escuro branquear…
O do sul quer ir pra o Norte
O solteiro quer consorte
Pois não pára de sonhar.

Ninguém está satisfeito
Com sua vida na Terra
E a droga é só consequência
Do que na alma se encerra,
Pois busca na alienação
Conforto e conformação,
Para vencer esta guerra.

Se temos o traficante
Que vende a droga vulgar
Há também o que oferece
Algo muito similar:
Traficante da ilusão
Que oferece ao bobalhão,
Status pra se enganar.

Tem seu nome no jornal,
Frequenta rodas sociais,
Ganha honras e medalhas
Das quais não se livra mais,
Pois fica muito importante
E não mais caminha adiante,
E nem consegue ter paz. 

Neste momento do mundo,
Cuidado seres humanos,
Que pensam saber de tudo,
Mas só cometem enganos,
Lembrem-se que toda a gente
Neste mundo é dependente,
Sofrendo seus próprios danos.

Nós dependemos do corpo,
Da posição, do dinheiro,
Não podemos ser nós mesmos,
Porque sempre está em primeiro
Lugar nossa sociedade
Que nos fez uma igualdade
Como trigos num celeiro.

O pobre desavisado
Só fala de roupa e grife
E é bastante exigente
Até na escolha do esquife,
Pois quer madeira de lei
Para exibir à sua grei
Os seus restos de patife.

Se a droga traz dependência,
A dependência é uma droga
Que visita quem é pobre
Ou mesmo quem usa toga
Pois somos meio macacos
E por isso todos fracos
Ante tudo que está em voga.

Se o traficante, porém,
Tem sucesso no negócio
Ele deve agradecer
Àquele que vive em ócio,
Pois quem luta e só trabalha,
Na vida não se atrapalha,
Não age como um beócio.

.

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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