Você critica o drogado
Por crack ou por cocaína,
Por álcool ou por cigarro
Por maconha ou heroína,
Ficando penalizado
Quando vê alguém jogado,
Seja menino ou menina.

Realmente é muito triste,
Porém existe razão
Para que seres humanos
Vivam nesta alienação,
Perdendo o próprio respeito
Sem fazer nada direito,
Sem pensar na evolução.

Isto começa, talvez,
Por um erro de família,
Onde os pais gananciosos
Esquecem de filho e filha
Só buscando se dar bem,
Ganhar dinheiro e também
Caem na mesma armadilha…

Há traficantes que vendem
As drogas convencionais
Outros traficam ilusão
Que são os bens materiais,
O celular mais moderno
Grife do sapato ou terno
E outras besteiras que tais.

Carro só se for de luxo
Com GPS e com friso,
Além dos demais controles
Que jamais serão preciso
Para mostrar  a quem passa
Que ali vai o rei da praça,
Um imbecil bem conciso…

O relógio tem de ter
Hora da Rússia ou Japão,
Além da temperatura
Se vai fazer frio ou não,
Que ele jamais vai usar,
Só a hora vai olhar
Sem maior preocupação.

O gordo quer virar magro,
O magro quer engordar
O branco quer ser escuro
E o escuro branquear…
O do sul quer ir pra o Norte
O solteiro quer consorte
Pois não pára de sonhar.

Ninguém está satisfeito
Com sua vida na Terra
E a droga é só consequência
Do que na alma se encerra,
Pois busca na alienação
Conforto e conformação,
Para vencer esta guerra.

Se temos o traficante
Que vende a droga vulgar
Há também o que oferece
Algo muito similar:
Traficante da ilusão
Que oferece ao bobalhão,
Status pra se enganar.

Tem seu nome no jornal,
Frequenta rodas sociais,
Ganha honras e medalhas
Das quais não se livra mais,
Pois fica muito importante
E não mais caminha adiante,
E nem consegue ter paz. 

Neste momento do mundo,
Cuidado seres humanos,
Que pensam saber de tudo,
Mas só cometem enganos,
Lembrem-se que toda a gente
Neste mundo é dependente,
Sofrendo seus próprios danos.

Nós dependemos do corpo,
Da posição, do dinheiro,
Não podemos ser nós mesmos,
Porque sempre está em primeiro
Lugar nossa sociedade
Que nos fez uma igualdade
Como trigos num celeiro.

O pobre desavisado
Só fala de roupa e grife
E é bastante exigente
Até na escolha do esquife,
Pois quer madeira de lei
Para exibir à sua grei
Os seus restos de patife.

Se a droga traz dependência,
A dependência é uma droga
Que visita quem é pobre
Ou mesmo quem usa toga
Pois somos meio macacos
E por isso todos fracos
Ante tudo que está em voga.

Se o traficante, porém,
Tem sucesso no negócio
Ele deve agradecer
Àquele que vive em ócio,
Pois quem luta e só trabalha,
Na vida não se atrapalha,
Não age como um beócio.

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