Por que presidentes, governadores e prefeitos usam de manobras políticas para ter maioria nas casas do legislativo? Se os projetos nascidos ali, ou enviados pelos executivos, são de interesse na sociedade, porque é indispensável ter aliados para julgar as mensagens. Se o eleitor colocou lá esses senhores, eles são empregados do povo, que lhes paga os salários; bem polpudos, por sinal.

Pelo que aprendi nesses 76 anos de vida, é que o povo – mais conhecido como uma porção de ninguém – não conta. Que importa se o projeto aprovado vai ou não beneficiar a população. O importante é que encha o bolso dos legislativos e dos executivos. Quem afirma isso não sou eu, é a mídia.

Legislativo e executivo só estão de acordo quando se trata de obter benefícios mútuos. Veja como todo fim de ano, rapidinho, eles aprovam reajuste dos próprios ganhos. Sempre há quorum, situação e oposição pensam com a mesma cabeça, tudo numa orquestração altamente harmonizada. Deve ser o espírito de Natal que faz com que PMDB, PSDB e PT se abracem e se amem.

Ao começar o novo ano, as brincadeiras e as gentilezas se acabam e eles, agora com os bolsos mais recheados, colocam de novo a máscara de defensores públicos, fingindo que cuidam dos interesses das pessoas comuns. E quando os vemos falar com vigor e altivez, quase que nos deixamos enganar, chegando a imaginar que aquilo é sério. Têm mais poder de cena e representação do que as novelas globais, de tão grande audiência.

Por isso é que pai, filho e neto se perpetuam nesses cargos. O melhor diploma e a melhor profissão é o sobrenome ilustre. Fulano de tal, carismático, indica seu Fulano de Tal Filho que já está preparando o Fulano de Tal Neto. E eles são sempre os mesmos. É verdade que vez ou outra aparecem o Toinho do Sopão na Paraíba, o Tiririca e o Clodovil, em São Paulo, o Popó, na Bahia e outras figuras de vida curta. Um mandato e olhe lá. O grosso é formado por conhecidas dinastias que mandam no país há cinqüenta anos ou mais. Perpetuaram-se no poder. Se por acaso não forem eleitos, serão nomeados. De fora eles não ficam. Faz por mim hoje que amanhã eu faço por você. Esse é o slogan.

Quando ao terceiro poder, o judiciário, não o comprometam. Quem não quiser julgar, pede licença ou se considera impedido. Empurra com a barriga aquilo que é de decisão óbvia, mas que ferirá interesses de quem, mais tarde, eles poderão necessitar. Afinal, nunca se sabe do dia de amanhã e é bom deixar a porta aberta.

É esse o retrato do nosso governo, porque, afinal, vivemos numa DEMOCRACIA. E como todo mundo conhece o idioma grego, sabe que DEMO é povo e não o que vocês pensaram.

 

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