Quem disse que bom senso é privilegio de alfabetizado. Meu pai o tinha e era totalmente analfabeto. Cultura e sabedoria são qualidades diferentes.

Quando Tiririca disse em campanha que não sabia o que faz um deputado, penso que era sincero. Eu tenho 76 anos, sou alfabetizado e também não sei para que serve um deputado. Provavelmente para compor um Congresso que dê ao mundo a falsa impressão de que somos uma democracia.

Acompanhem. Um deputado inventa um projeto e o submete à apreciação de seus pares. Sempre alguém será contra. Conversa de cá, conversa de lá e, finalmente todos concordam.

Vai para o Senado que, evidentemente, não pretende pôr azeitona na empada da Câmara. Muda aqui, muda ali e decidem concordar. Mandam de volta para os deputados que, novamente, discutem o assunto. E vai pra cá e vai pra lá, como no caso do projeto sobre os aposentados, do Sr. Paulo Paim, que zanzou por mais de cinco anos, quando foi, finalmente, aprovado.

Os velhos exultaram quando a imprensa divulgou, mas enviado ao presidente, ele simplesmente jogou o projeto no lixo, porque o país não suportaria os gastos. Ou seja, cerca de 600 representantes do povo receberam salário, despesas com o staff, auxílio viagem, moradia, transporte, etc., anos e anos, sem saber que o país não pode gastar. Para que serve o Congresso? Assim como o Tiririca, eu também não sei. E o problema não é só eles terem aumentados seus próprios salários no apagar das luzes de 2010, meio na calada da noite. Isso é o de menos. O recheio do bolo, que fica escondido, é que é o problema.

Mas afinal, o Presidente sabe o que faz. Segundo 2002 pessoas ouvidas em 140 municípios – Correio da Paraíba de 17/12/2010 – página A5 – 87% aprovaram nosso Lula, num recorde histórico. “Nunca se viu antes na história deste país”.

Ao fazer conta vi que temos no continente Brasil 5565 municípios para quase 200 milhões de pessoas. Foram ouvidas 2002, maiores de 16 anos, – 0,001% da população – em 140 municípios – 2,51% das cidades -.

Uma média, segundo interpretei pelo texto do Correio, de 15 pessoas por município. Será que entre esses 15 não havia um aposentado descontente, um professor, um acidentado esperando socorro nos corredores de hospitais, alguém que perdeu um parente em tragédia nas perigosas estradas do país, um médico ou servidor público ou policial em greve por melhores salários e condições de vida, um favelado, um desempregado, um drogado, um traficante, um empresário pagador de impostos escorchantes, um aidético que não recebe remédio do SUS, e outros que tais?

Não tenho dúvida que este país melhorou como nunca antes para o povão, mas talvez os entrevistados fossem apenas os que recebem as famosas bolsas e cestas e tickets e ajudas. Numa pesquisa séria, o presidente teria entre 40 e 60% de aprovação o que seria altamente representativo para um operário que não inspirava confiança e que causava temor aos ricos quando assumiu a presidência e o que ele passou para a sua sucessora. Calou a boca dos descrentes e destacou-se na comunidade internacional. Mas 87% nem Jesus Cristo conseguiu porque sempre alguém é contrariado. E já diz o povo que toda unanimidade é burra!

Esperamos que a sucessora do nosso Lula faça algo semelhante ao que ele fez para continuarmos nos desenvolvendo. Esperamos que ela possa ter, também, por volta de 50% de aprovação do povo. Já será um sucesso. O resto é figuração!

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