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De que vale a postura do seu corpo
Se sua alma anda sempre ajoelhada?!
De que adianta essa estampa bem formada
Se o seu senso moral está já morto?!

De que serve viver com tal conforto,
Uma vida soberba e abastada,
Se a alma vive tão deteriorada
Perdida num escuro e ermo horto?!

Sua importante posição social
Conflita com o que é espiritual,
Pois só o que é matéria lhe interessa…

Um dia esse seu corpo vira pó
E a alma, finalmente, estando só
Irá, na solidão, sofrer à beça!

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O mundo material é uma utopia,
Uma forma de sonho ou de miragem,
Que dura o que no eterno é um só dia,
Como a nuvem dispersa na paisagem…

No retorno, acaba-se a vantagem
De quem só quis poder, sabedoria,
Desfaz-se o corpo humano, a tatuagem,
Porque a alma retorna à energia!…

Voltaremos ao mundo de onde viemos
Levando um pouco mais do que trouxemos
Inda que algo infinitesimal.

Se usarmos neste mundo essa experiência
Que guardamos no fundo da consciência,
Deixaremos na Terra o que é banal!…

Oh! triste humanidade pecadora,
Na qual ninguém desfruta um privilégio,
Sofre o pobre e também sofre o egrégio,
Nesta luta de vida sofredora!

Não adianta abusar de sortilégio,
Se ninguém escutou a Manjedoura
Falar-nos, com sua voz imorredoura,
Censurando as ações de sacrilégio.

Amem-se muito, foi a advertência
Que ressoa até agora na consciência,
Enquanto o Apocalipse se instala…

Contra o mal nada o homem oferece,
Daí porque o conflito sempre cresce;
Na defesa do bem, sempre se cala!…

O celular tão louco que agiliza
O meu negócio, traz-me a depressão
E essa TV, que diz ser diversão,
Mostra só cenas que causam ojeriza.

Adulteram os dados da pesquisa
Dando a todos a mais falsa impressão
Que existe em tudo grande aceitação,
Mas que é, na verdade, feito à guisa

De subornos e dados convenientes,
Para então demonstrar às nossas gentes
Que nós somos o povo mais feliz!

No entanto, nos espelhos das vielas,
Das ruas dos drogados, das favelas,
Vemo-nos claramente: uns imbecis!…

Hoje quando acordei me decidi:
Vou fazer um poema bem bonito,
Buscado nas entranhas do infinito,
De cenas que num sonho conheci.

Eu pude ver imagens que não vi
Com meu olhar carnal sempre restrito,
Que me impede de ver o que é um mito
Para os homens, mas que eu sempre entendi.

Este sopro divino vem do céu,
Num silêncio com ecos de escarcéu
Até chegar à minha inteligência…

Depois que eu retiver esta verdade
Saberei muito mais da realidade,
Para ter nesta vida, mais coerência!

Eu não quero ser omisso
Tampouco ser estressado,
Que tenta mudar aquilo
Que não pode ser mudado,
Querendo tornar gentil
Quem é um mal educado.

Não vou ensinar cavalo
A ser alguém requintado,
Nem o que é prepotente
A dizer muito obrigado,
Por favor, me dê licença,
Como um ser civilizado.

Não vou buzinar nervoso
Contra quem dirige errado,
O que fecha o cruzamento
E passa em sinal fechado
Ou conversa ao celular,
Porque é um incivilizado.

Se cai a conexão
Porque é ruim o provedor,
Eu não esbravejar
Contra o meu computador,
Porque se eu ficar nervoso
É em mim que dói a dor.

Só depois que eu compreendi
Da Lei de ação e reação
Passei a ter mais cuidado
E não ter preocupação
De querer mudar o mundo
De tanta corrupção.

Não voto mais e dou graças
Por já ter a minha idade,
Pois nas vezes que eu votei
Me arrependi, de verdade,
Ao ver tantas falcatruas
Gerando infelicidade.

Deixo para quem é moço
A tarefa que foi minha;
Tentei ajudar o mundo
E hoje a saúde definha,
Não vou expor-me de novo
E aumentar a dor na espinha!

Eu já fiz setenta e seis,
E ainda estou  meio forte,
E mesmo não tendo medo,
Não vou alterar a sorte
Vou morrer, naturalmente,
No dia da minha morte!…

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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