Eu não quero ser omisso
Tampouco ser estressado,
Que tenta mudar aquilo
Que não pode ser mudado,
Querendo tornar gentil
Quem é um mal educado.

Não vou ensinar cavalo
A ser alguém requintado,
Nem o que é prepotente
A dizer muito obrigado,
Por favor, me dê licença,
Como um ser civilizado.

Não vou buzinar nervoso
Contra quem dirige errado,
O que fecha o cruzamento
E passa em sinal fechado
Ou conversa ao celular,
Porque é um incivilizado.

Se cai a conexão
Porque é ruim o provedor,
Eu não esbravejar
Contra o meu computador,
Porque se eu ficar nervoso
É em mim que dói a dor.

Só depois que eu compreendi
Da Lei de ação e reação
Passei a ter mais cuidado
E não ter preocupação
De querer mudar o mundo
De tanta corrupção.

Não voto mais e dou graças
Por já ter a minha idade,
Pois nas vezes que eu votei
Me arrependi, de verdade,
Ao ver tantas falcatruas
Gerando infelicidade.

Deixo para quem é moço
A tarefa que foi minha;
Tentei ajudar o mundo
E hoje a saúde definha,
Não vou expor-me de novo
E aumentar a dor na espinha!

Eu já fiz setenta e seis,
E ainda estou  meio forte,
E mesmo não tendo medo,
Não vou alterar a sorte
Vou morrer, naturalmente,
No dia da minha morte!…

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