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O nordeste fala mal
Do velho sul maravilha
Mas isso é só por despeito
Vai para lá com a família
Estudar e se tratar
E, além disso, trabalhar
Pra sustentar filho e filha.

Em vez de torcer no jogo
Para os times da sua terra,
Gosta de Vasco e Flamengo
Por eles grita e até berra,
Compra camisa e associa
Vai ao campo e assovia
Aplaudindo e até faz guerra!

Tanto o Rio como São Paulo
Devem toda a sua sorte
Ao migrante nordestino
Que lhe deu tão grande aporte;
Alegam com tal despeito,
Mas bem que podiam ter feito
Essas cidades no Norte.

Não teriam mais inveja
Do sul com o seu progresso
Sua riqueza e cultura,
Que lhe dão grande sucesso
Porque o nordeste seria
Também uma maravilha
E não esse retrocesso.

Vamos torcer, paraibanos,
Pelo Treze e Botafogo,
Encher os nossos estádios
Em cada dia de jogo,
Deixa o Flamengo pra lá
Ele que vá se danar,
Não vamos ser demagogos…

O turismo do nordeste
Deve todo o seu sustento
Ao sulista que aqui vem
Com a mulher e os rebentos
Deixar dinheiro e recados
Porque são bem comportados
E prestigiam seus eventos.

Não fale mal do sulista,
Pois não se deve cuspir
No prato onde a gente come
E vai ter de repetir
Comendo ali muitas vezes
Para vencer os revezes
Até a hora de partir.

Sou paulistano do Centro,
Bem da Avenida Paulista,
Nasci na Rua Itapeva
No bairro da Bela Vista
Posso falar cá de riba,
Pois moro na Paraíba
Onde não sou mais turista.

Ao contrário sou até
Um Cidadão Paraibano
Com título que a Assembléia
Conferiu-me já há alguns anos
Por divulgar a cultura
Das ilustres criaturas
Das artes, do cotidiano…

Vamos fazer do Nordeste
Um lugar altivo e sério
Rico, forte, independente,
Seguindo o próprio critério,
Sem ter inveja do sul,
Curtindo seu céu azul
De muito charme e mistério!…

 

Se me perguntam se eu sou hipertenso,
Logo respondo que isto é bem variável;
Numa sala de espera, vulnerável,
Não importa o doutor, eu fico tenso!…

Esperando por horas, meu bom senso
Desarranja-se, ante o insuportável,
E acaba se rendendo, é inevitável,
Vendo a pressão subir, todo indefenso.

Se de um lado o doutor traz-nos a cura,
O que eles fazem com a criatura
E algo que até beira o desumano…

O fiel da paciência desarranja
E mesmo alguém que calma sempre esbanja,
Fica mais animal que ser humano.

O dia da minha morte
Vai ser um dia engraçado.
Eu ali no meu caixão,
Todo de flores rodeado,
Cheio de gente chorando
E eu ouvindo calado!

Ali fora, pelos cantos
Todos contando piadas
Umas daquelas sem graça
Outras um pouco engraçadas,
Mas sem estar nem aí
Para a família enlutada.

Até ela mesma, a família,
Parecia ter sentimento
E lamentar a partida
Deste que foi um tormento,
Mas que agora deixa espaço
Naquele nobre aposento.

Todo o choro, na verdade,
Durará dois ou três dias
E a reza será um Pai Nosso
E umas duas Ave Marias,
E talvez digam que eu fui
Bom homem, por cortesia…

Viúvo é aquele que morre
Já ouvi dizer um ditado
E isso virá à minha mente
Enquanto estiver deitado,
Vendo cada um dos presentes
Só consigo preocupado.

Não culpo ninguém por isso
É deste mundo inerente
Cada um pensar em si
Querer viver bem contente;
E quem quis morrer, morreu,
Porque o resto segue em frente.

Um dia disse Confúcio:
Ao nasceres, junto aos pais,
Todos sorriam, tu choravas,
Mas se tua alma tem paz
Ao morreres sorrirás
E chorarão os demais…

Por isso que é engraçado
Imaginar meu velório,
Para onde irei sem vontade,
Por destino compulsório,
Mas nessa hora só Deus
Usarei como oratório.

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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