O dia da minha morte
Vai ser um dia engraçado.
Eu ali no meu caixão,
Todo de flores rodeado,
Cheio de gente chorando
E eu ouvindo calado!

Ali fora, pelos cantos
Todos contando piadas
Umas daquelas sem graça
Outras um pouco engraçadas,
Mas sem estar nem aí
Para a família enlutada.

Até ela mesma, a família,
Parecia ter sentimento
E lamentar a partida
Deste que foi um tormento,
Mas que agora deixa espaço
Naquele nobre aposento.

Todo o choro, na verdade,
Durará dois ou três dias
E a reza será um Pai Nosso
E umas duas Ave Marias,
E talvez digam que eu fui
Bom homem, por cortesia…

Viúvo é aquele que morre
Já ouvi dizer um ditado
E isso virá à minha mente
Enquanto estiver deitado,
Vendo cada um dos presentes
Só consigo preocupado.

Não culpo ninguém por isso
É deste mundo inerente
Cada um pensar em si
Querer viver bem contente;
E quem quis morrer, morreu,
Porque o resto segue em frente.

Um dia disse Confúcio:
Ao nasceres, junto aos pais,
Todos sorriam, tu choravas,
Mas se tua alma tem paz
Ao morreres sorrirás
E chorarão os demais…

Por isso que é engraçado
Imaginar meu velório,
Para onde irei sem vontade,
Por destino compulsório,
Mas nessa hora só Deus
Usarei como oratório.

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