No dia em que eu morrer vai ser gozado;
Todo mundo perguntando assustado
Afinal o que foi que aconteceu?
Ele estava tão bem, cheio de vida,
Era muito feliz. E à despedida,
Afinal, do que foi que ele morreu?…

Irão todos depois ao cemitério
Enterrar quem já em pleno climatério
Contemplará ao redor a hipocrisia;
Pensarão que ele estava mesmo morto,
Quando era simplesmente um absorto
Feliz com a liberdade desse dia.

Na lápide, depois, porão escrito
Deus o guarde na terra do infinito!
E todos em seu choro, sem alarde,
Verão o meu caixão descendo ao fundo
Levando este infeliz para o outro mundo
E em coro hão de dizer: Já vai bem tarde!

Quando alguém vale mais morto que vivo
Porque é tido por chato, irritativo,
Melhor que desocupe esses espaços…
A casa ficará mais confortável,
O ambiente será mais agradável
E vamos nos poupar falsos abraços.

No mundo, cada um gosta de si
Vê-se bem claro isso estando aqui,
Pois não se encontra amigos mais diletos.
Se a nossa Terra está em Apocalipse,
Assim como João há muito disse,
Perdeu-se a esperança dos afetos!

Não chore a minha morte quem me agride,
E de mim nunca mereceu revide,
Pois sempre me tratou como imbecil…
Guarde para o seu fim o próprio choro,
E eu lhe prometo que não farei coro,
Apesar de já eu estar senil.

Nunca fui um bom pai, um bom marido,
Nem bom filho ou irmão, pois esquecido
Da família eu só quis ganhar dinheiro;
Porém de nada adianta reclamar
Porque o tempo se foi, não vai voltar
E não posso sair desse atoleiro…

As contas vou prestar, não a vocês,
Com quem dividi o espaço desta vez,
Mas Àquele que foi meu criador.
Meus erros talvez sejam atenuados,
Porque fiz algo certo, além do errado,
E é condescendente o Bom Senhor!

Dirão que é descabido este poema,
Poderia usar um outro tema
Que falasse de amor, de bem querer…
Mas ai sim eu estaria mentindo,
Por isso fica assim, e agora findo,
Preparando o meu tempo de morrer!

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