– O que mais temes na vida?
– O remorso, respondi;
– A ingratidão praticada,
Mentira que proferi,
Porque em mim foi registrada
E evitar não consegui…

– E da consciência, tens medo?
– Muito, muito, pois a ofensa,
Da qual sempre me arrependo,
Dói bem mais do que tu pensas
E só muito sofrimento
Deixa como recompensa!

– Quando feres, a quem feres?
– A mim mesmo, certamente
Porque em mim é que registro
Esses males, cegamente,
Que me roubam toda a paz
Dos dias que vem à frente!

– A lei de causa e efeito
Tem para ti um sentido?
– Se nada faço perfeito
Eu serei nela envolvido
Porque ação gera reação
E quando erro, estou perdido…

– Quando dou, é a mim que dou…
Se tiro é de mim que tiro…
Já disse numa oração
Um santo a que me refiro,
Pois caso eu fira alguém
Será a mim mesmo que firo!

– É muito simples, portanto,
Ajustar o mecanismo
Se trocar, enquanto há vida
O orgulho e o egoísmo
Pela humildade e bondade
Sem prender-se ao fanatismo!

Só uma lei regula o mundo:
A lei do amor infinito
Como o de Deus que não vê
Um filho feio e um bonito,
Porque a todos ama igual
Num amor amplo, irrestrito!

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