Abrindo um pouco a porta, sem ruído,
Um vulto de mulher meu sonho invade
E diz em meus ouvidos de saudade:
– Aqui estou, conforme o prometido.

– Eu sei que é tarde e que não faz sentido
Despertar-te do sono, mas quem há de
Calar em mim tamanha ansiedade
Ao ver que não estás bem, que tens sofrido!

Calou, sorriu pra mim seu riso aflito,
Depois contou do Céu, como é bonito,
Falou de Deus, louvou Nossa Senhora.

Orou, chorou, sentou-se junto ao leito,
Apertou-me, contrita, junto ao peito,
Beijou-me, abençoou-me, e foi embora!

Soneto do excelente poeta Ronaldo Cunhas Lima à Da. Nenzinha.
Jornal da Paraiba – 27/05/2012

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