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Jamais  te julgues autossuficiente;
Precisarás do outro o tempo inteiro,
Seja ele um doutor, um faxineiro,
Ou alguém que possa consertar teu dente…

O remédio, se acaso estás doente,
Foi feito por alguém que, por dinheiro,
Fez o mesmo que faz o cozinheiro,
Que ajuda a tua carcaça a ir em frente!

E até mesmo depois de aposentado,
Quando fores do lar, já despejado
Para morar na campa em pleno chão,

Precisarás ainda muito amigo,
Ao menos seis, que te levem ao jazigo,
Cada um numa alça do caixão!…

 

 

 

 

 

Queria ter um freio em minha mente,
Para não me perder mais na tristeza,
Já que a vida, no fundo, é uma beleza
E é para ser vivida bem contente.

Que bom se tudo fosse diferente,
Que meus gestos tivessem mais nobreza,
Que eu nunca mais vivesse na incerteza
E a fé faria de mim um ser coerente.

Se Deus é quem controla a nossa vida,
E sempre está presente, dá guarida,
Na hora mais difícil que aparece,

Eu tenho de ter sempre uma esperança,
E rir como se fora uma criança,
Fazendo do viver eterna prece!…

Nada o peixe no aquário – uma clausura -,
Feliz como num oceano, imerso!…
Aquela pouca d’água é um universo,
Que alegra a tal gelada criatura.

A escama que lhe serve de armadura
Inspira-me a dizer, num simples verso,
Que a nossa humanidade é o reverso:
Tem amplidão, porém não tem candura.

A liberdade é algo do interior
E aquele que se sente superior
Sempre é livre, apesar de aprisionado.

O que nos deixa presos é a consciência,
Que nos mantém reclusos à inclemência,
Mesmo soltos no espaço ilimitado! 

Dói a vida mais que a morte,
Pois o azar persegue a sorte
E dificulta o viver,
Ninguém aplica o perdão
E por isso a tentação
Traz-nos constante sofrer…

Nos percalços desta vida
Sempre tão mal dividida
Uns têm muito outros têm nada.
Uns dormem em cama macia
Outros sob a noite fria
Que gela de madrugada.

Por que tanta diferença
Se, segundo a nossa crença,
Todos nós somos irmãos?
Temos de caminhar juntos
E antes de sermos defuntos
Devemos dar-nos as mãos.

Se eu tiver um pouco menos
Farei muito mais ameno
O viver do semelhante,
Mas se for um egoísta,
Seguindo pontos de vista,
Vou me perder num instante.

Já estou bastante velho
E me pego no Evangelho
Para entender a lição;
Mas ela está só na boca
E nesta vida que é louca
Nunca chega ao coração.

Todo ciclo começa e, ao fim, termina;

Toda dor chega ao seu final um dia;

A tristeza se torna uma alegria,

Naquele que com Deus sempre se afina.

 

A fé é qual tesouro de uma mina,

Porque nos leva ao Cristo, o Eterno Guia,

E quem não quer sentir melancolia

Estimule a sua própria adrenalina.

 

A dor é sempre a grande professora;

Devemos respeitar esta “senhora”

Porque ela nos conduz à evolução.

 

A única saída é ter paciência,

Pois traz sempre em seu bojo uma indulgência

Que para os dias de hoje é a solução.

Nas matas deste planeta, há árvores colossais, há arbustos reduzidos, há pastos com capinzais e plantas de todo tipo, com seus frutos, seus florais, umas em covas mais fundas, outras mais superficiais; muitas vivem por si mesmas, formando as próprias raízes, outras mais acomodadas, sugam sempre os infelizes, que servem como suporte para que exibam matizes.

Banhadas por chuva e rios, fornecem vida aos insetos, alguns de som sibilantes, outros que voam discretos, uns bastante laboriosos, como as abelhas do mel, outros que são venenosos, piores que a cascavel. Também se olharmos a fauna, veremos quanta beleza, existe na pior fera, cheia, às vezes, de tristeza, por ser uma predadora que equilibra a natureza.

O maior come o menor, o mais forte vence o fraco, mas também há o que é astuto, que tem seu próprio casaco, como é o caso do tatu, que faz casa no buraco.

Há plantas que são daninhas, outras são medicinais, umas são estimulantes outras chamadas florais, que nos servem de calmantes para os problemas mentais…

Na selva do ser humano, vê-se muita semelhança, quando nós analisamos alguém que é velho ou criança, nascida de mãe e pai que nela põe esperança.

Se for bem observada, é fácil se reconheça, as tendências que ela traz para que, antes que cresça, se possa pôr mais juízo no fundo de sua cabeça. Poderá ser o que cura ou talvez um marginal, dependendo das tendências, que já traz como normal, mas que podem ser mudadas com grande amor maternal.

Há homens tipo araucária, outros como macaxeira, por mais que tentam crescer, ficam da mesma maneira, sem estatura moral, ou como uma bananeira que dá simplesmente um cacho e depois vira fogueira…

Há homens que são calmantes outros que provocam ira, uns que são bem verdadeiros outros que falam mentira, como  uma erva daninha que provoca ziguizira.

Se existe a fera que é humana, há também o homem fera, que só agride a natureza poluindo a atmosfera, e enquanto os outros trabalham, ele dorme, come e espera.

Entre as plantas e os humanos vê-se muita semelhança, porque os dois para ser grandes, foram semente e criança e o futuro nunca é certo, pois tudo é mera esperança. A árvore irá crescer não havendo um destruidor, que dizima nossas matas o que só aumenta o calor, e a criança será adulta não havendo um matador.

Viram que é questão de sorte porque as leis da natureza, já quase mais não vigoram e ninguém mais tem certeza se vai ser feliz ou não, ser alegre ou ter tristeza.

Nós vamos quebrando o galho, no seu sentido mais puro, enquanto os galhos nas matas, quando se escondem no escuro, procuram sobreviver preservando algum futuro. Vão agradecendo ao sol, ao rio e também à chuva, seja um arbusto bem simples ou a bela cabriúva, que se molha pelo orvalho, ao lado de um pé de uva…

Está cada vez pior o pobre planeta azul, seja por gente do norte, seja por feras do sul, estão morrendo essas matas, assim como a arara-azul que em velhos tempos passados voava com ar taful.

Já vem, porém, novo tempo de muita transformação quando não mais vamos ser terra de prova e expiação para sermos mundo novo, o de regeneração. Por isso tenho certeza de que tudo vale a pena, como já disse Pessoa, se a alma não for pequena e seremos um dia todos bonitos como a açucena.

 

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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