You are currently browsing the daily archive for segunda-feira, 9 julho, 2012.

Nada o peixe no aquário – uma clausura -,
Feliz como num oceano, imerso!…
Aquela pouca d’água é um universo,
Que alegra a tal gelada criatura.

A escama que lhe serve de armadura
Inspira-me a dizer, num simples verso,
Que a nossa humanidade é o reverso:
Tem amplidão, porém não tem candura.

A liberdade é algo do interior
E aquele que se sente superior
Sempre é livre, apesar de aprisionado.

O que nos deixa presos é a consciência,
Que nos mantém reclusos à inclemência,
Mesmo soltos no espaço ilimitado! 

Dói a vida mais que a morte,
Pois o azar persegue a sorte
E dificulta o viver,
Ninguém aplica o perdão
E por isso a tentação
Traz-nos constante sofrer…

Nos percalços desta vida
Sempre tão mal dividida
Uns têm muito outros têm nada.
Uns dormem em cama macia
Outros sob a noite fria
Que gela de madrugada.

Por que tanta diferença
Se, segundo a nossa crença,
Todos nós somos irmãos?
Temos de caminhar juntos
E antes de sermos defuntos
Devemos dar-nos as mãos.

Se eu tiver um pouco menos
Farei muito mais ameno
O viver do semelhante,
Mas se for um egoísta,
Seguindo pontos de vista,
Vou me perder num instante.

Já estou bastante velho
E me pego no Evangelho
Para entender a lição;
Mas ela está só na boca
E nesta vida que é louca
Nunca chega ao coração.

Todo ciclo começa e, ao fim, termina;

Toda dor chega ao seu final um dia;

A tristeza se torna uma alegria,

Naquele que com Deus sempre se afina.

 

A fé é qual tesouro de uma mina,

Porque nos leva ao Cristo, o Eterno Guia,

E quem não quer sentir melancolia

Estimule a sua própria adrenalina.

 

A dor é sempre a grande professora;

Devemos respeitar esta “senhora”

Porque ela nos conduz à evolução.

 

A única saída é ter paciência,

Pois traz sempre em seu bojo uma indulgência

Que para os dias de hoje é a solução.

Nas matas deste planeta, há árvores colossais, há arbustos reduzidos, há pastos com capinzais e plantas de todo tipo, com seus frutos, seus florais, umas em covas mais fundas, outras mais superficiais; muitas vivem por si mesmas, formando as próprias raízes, outras mais acomodadas, sugam sempre os infelizes, que servem como suporte para que exibam matizes.

Banhadas por chuva e rios, fornecem vida aos insetos, alguns de som sibilantes, outros que voam discretos, uns bastante laboriosos, como as abelhas do mel, outros que são venenosos, piores que a cascavel. Também se olharmos a fauna, veremos quanta beleza, existe na pior fera, cheia, às vezes, de tristeza, por ser uma predadora que equilibra a natureza.

O maior come o menor, o mais forte vence o fraco, mas também há o que é astuto, que tem seu próprio casaco, como é o caso do tatu, que faz casa no buraco.

Há plantas que são daninhas, outras são medicinais, umas são estimulantes outras chamadas florais, que nos servem de calmantes para os problemas mentais…

Na selva do ser humano, vê-se muita semelhança, quando nós analisamos alguém que é velho ou criança, nascida de mãe e pai que nela põe esperança.

Se for bem observada, é fácil se reconheça, as tendências que ela traz para que, antes que cresça, se possa pôr mais juízo no fundo de sua cabeça. Poderá ser o que cura ou talvez um marginal, dependendo das tendências, que já traz como normal, mas que podem ser mudadas com grande amor maternal.

Há homens tipo araucária, outros como macaxeira, por mais que tentam crescer, ficam da mesma maneira, sem estatura moral, ou como uma bananeira que dá simplesmente um cacho e depois vira fogueira…

Há homens que são calmantes outros que provocam ira, uns que são bem verdadeiros outros que falam mentira, como  uma erva daninha que provoca ziguizira.

Se existe a fera que é humana, há também o homem fera, que só agride a natureza poluindo a atmosfera, e enquanto os outros trabalham, ele dorme, come e espera.

Entre as plantas e os humanos vê-se muita semelhança, porque os dois para ser grandes, foram semente e criança e o futuro nunca é certo, pois tudo é mera esperança. A árvore irá crescer não havendo um destruidor, que dizima nossas matas o que só aumenta o calor, e a criança será adulta não havendo um matador.

Viram que é questão de sorte porque as leis da natureza, já quase mais não vigoram e ninguém mais tem certeza se vai ser feliz ou não, ser alegre ou ter tristeza.

Nós vamos quebrando o galho, no seu sentido mais puro, enquanto os galhos nas matas, quando se escondem no escuro, procuram sobreviver preservando algum futuro. Vão agradecendo ao sol, ao rio e também à chuva, seja um arbusto bem simples ou a bela cabriúva, que se molha pelo orvalho, ao lado de um pé de uva…

Está cada vez pior o pobre planeta azul, seja por gente do norte, seja por feras do sul, estão morrendo essas matas, assim como a arara-azul que em velhos tempos passados voava com ar taful.

Já vem, porém, novo tempo de muita transformação quando não mais vamos ser terra de prova e expiação para sermos mundo novo, o de regeneração. Por isso tenho certeza de que tudo vale a pena, como já disse Pessoa, se a alma não for pequena e seremos um dia todos bonitos como a açucena.

 

Sou descendente lá do velho mundo;
Já fui trentino, no norte da Itália
E há muitos séculos vou em batalha,
Desde o lugar de onde sou oriundo.

Do velho mundo vim para o ocidente
Para o Brasil, a Pátria do Cruzeiro,
Fui italiano hoje sou brasileiro,
Mas não me sinto nada diferente.

Só me acrescento mais em cada vida,
E o que me faz viver com otimismo
É que hoje tenho em mim o Espiritismo,
Que me orienta em cada despedida.

Nas caminhadas já ri, já chorei,
Mas não me importa em que pátrias vivi;
O que desejo é, enquanto estou aqui,
Ser bem melhor que quando aqui cheguei.

Tive outras vidas, vivi em outras praças,
Fui espanhol, eu sei, talvez judeu,
Mas só interessa o que Deus prometeu:
Que eu cresceria nesta ou noutras raças.

Hoje sou homem, mas talvez um dia
Já fui mulher e filhos dei à luz,
Mas amparado pelo bom Jesus,
Sigo lutando sem ter covardia.

Hoje sou branco; talvez noutra era
Eu fui um negro alto, um africano,
Talvez um índio ou guerreiro romano,
Num frio intenso ou bela primavera…

Meu destino final é o que me importa;
Serei um deus, Jesus já me havia dito,
E eu agradeço ao nosso Pai Bendito
Porque sempre me abriu todas as portas.

Tive comparsas que foram importantes
E me ajudaram neste meu caminho
E agradeço àqueles que o carinho
Me deram para eu caminhar adiante…

Lembrando de Pessoa “valeu a pena”
Eu ter chegado ao ponto em que cheguei;
Estou muito feliz na minha grei
E de alma já, talvez, não tão pequena!

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
julho 2012
S T Q Q S S D
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

Leituras

  • 60.562 poetas

Entre com seu email para assinar este blog e receber notificações de novos artigos postados.

Junte-se a 31 outros seguidores