Sou descendente lá do velho mundo;
Já fui trentino, no norte da Itália
E há muitos séculos vou em batalha,
Desde o lugar de onde sou oriundo.

Do velho mundo vim para o ocidente
Para o Brasil, a Pátria do Cruzeiro,
Fui italiano hoje sou brasileiro,
Mas não me sinto nada diferente.

Só me acrescento mais em cada vida,
E o que me faz viver com otimismo
É que hoje tenho em mim o Espiritismo,
Que me orienta em cada despedida.

Nas caminhadas já ri, já chorei,
Mas não me importa em que pátrias vivi;
O que desejo é, enquanto estou aqui,
Ser bem melhor que quando aqui cheguei.

Tive outras vidas, vivi em outras praças,
Fui espanhol, eu sei, talvez judeu,
Mas só interessa o que Deus prometeu:
Que eu cresceria nesta ou noutras raças.

Hoje sou homem, mas talvez um dia
Já fui mulher e filhos dei à luz,
Mas amparado pelo bom Jesus,
Sigo lutando sem ter covardia.

Hoje sou branco; talvez noutra era
Eu fui um negro alto, um africano,
Talvez um índio ou guerreiro romano,
Num frio intenso ou bela primavera…

Meu destino final é o que me importa;
Serei um deus, Jesus já me havia dito,
E eu agradeço ao nosso Pai Bendito
Porque sempre me abriu todas as portas.

Tive comparsas que foram importantes
E me ajudaram neste meu caminho
E agradeço àqueles que o carinho
Me deram para eu caminhar adiante…

Lembrando de Pessoa “valeu a pena”
Eu ter chegado ao ponto em que cheguei;
Estou muito feliz na minha grei
E de alma já, talvez, não tão pequena!

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