Rudyard Kipling

SE puderes guardar o sangue frio diante de quem fora de si te acusar; e, no instante em que duvidem de teu ânimo e firmeza, tu puderes ter fé na própria fortaleza, sem desprezar contudo a desconfiança alheia…

SE tu puderes não odiar a quem te odeia, nem pagar com a calúnia a quem te calunia, sem que tires daí motivos de ufania; sonhar, sem permitir que o sonho te domine; pensar, sem que em pensar tua ambição se confine; e esperar sempre e sempre, infatigavelmente…

SE com o mesmo sereno olhar indiferente puderes encarar a Derrota e a Vitória, como embustes que são da fortuna ilusória; e estoico suportar que intrigas e mentiras deturpem a palavra honesta que profiras…

SE puderes, ao ver em pedaços destruída pela sorte maldosa, a obra de tua vida, tomar de novo, a ferramenta desgastada e sem queixumes vãos, recomeçar do nada…

SE, tendo loucamente arriscado e perdido tudo quanto era teu, num só lance atrevido, tu puderes voltar à faina ingrata e dura, sem aludir jamais à sinistra aventura…

Se tu puderes coração, músculos, nervos reduzir da Vontade a condição de servos, que, embora exaustos, lhe obedeçam ao comando…

SE, andando a par dos reis e com os grandes lidando, puderes conservar a naturalidade, e no meio da turba a personalidade; impávido afrontar adulações, engodos, opressões, merecer a confiança de todos, sem que possa contar, todavia, contigo incondicionalmente o teu melhor amigo…

SE de cada minuto os sessenta segundos tu puderes tornar com o teu suor fecundos… a Terra será tua, e os bens que se não somem, e, o que é melhor, meu filho, então serás um Homem !

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rudyard_Kipling

 

FINALMENTE ENCONTREI NA INTERNET A MINHA TRADUÇÃO PREFERIDA PARA O “SE”.

 

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