-Quem pode lhe fazer mal,
Serão os seus inimigos?
Claro que não, eu lhe afirmo,
Porque sei bem o que digo,
Todo mal reside em nós,
Por detrás do nosso umbigo!

Como ainda sou deste mundo
Que é de prova e de expiação,
O maior mal que padeço
É o mal da imperfeição
Que me faz ser um doente
Que não consegue ser são!

O mal é que abrigo o ódio,
A raiva, a mágoa e o rancor,
E assim vou me esvaziando
Do sentimento do amor
Esquecendo  todo exemplo
Dado por Nosso Senhor.

Eu desejo ser feliz,
Porém só crio problemas…
Não tenho paciência e fé
E me perco nos dilemas
Por isso quero ser livre,
Mas vido preso às algemas…

O que sei mesmo é que luto
Para poder ser melhor
E ser muito mais fraterno
Com todos ao meu redor,
Até que eu chegue mais perto
Do nosso Pai Criador…

Sou como Paulo de Tarso
Só penso no que aborreço
Logo mesmo sendo pouco
Tenho mais do que mereço
Porque na escala moral
Em vez de subir, só desço!

– Quantas vidas já vivi?
Só Deus pode responder,
Mas sei que elas foram muitas
E eu não consegui crescer,
Por isso ainda muitas vezes
Eu terei de renascer.

A vítima sou eu mesmo
Desse mal que não termina
Por isso a infelicidade
Quase sempre é a minha sina
E meu defeito é tão grande
Que nem com a morte termina!

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