Lavou a mãe a roupa de muita patroa,
Para nos dar, além do estudo, o bom sustento;
Ela e meu pai, um operário, com talento,
Nos educaram na São Paulo da garoa.

Eu estudei. Mas ao chegar no encerramento
Do velho grupo meu pai comentou, à toa,
Já está estudado esse menino. Ela caçoa
E diz: – agora é o ginásio. Ele atento,

Pergunta: – como um filho de operário
Que sequer tem como comer com seu salário
Pode estudar. Ouviu, então, surpreso e mudo,

Pois minha mãe lhe respondeu, com altivez,
Vou arrancar do coração, mês após mês,
Cada tostão, mas ele vai seguir o estudo!

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