Olhando-me no espelho, o que vejo?
Um velho com saudades da criança
Que eu fora, quando havia só a esperança
De ser feliz um dia; era o desejo!…

Não guardo qualquer mágoa da lembrança
Da miséria do velho lugarejo,
Que às vezes, se recordo, lacrimejo,
Relembrando o trajeto da mudança…

Tempos duros, de muito sofrimento,
Apesar de que, com discernimento,
Os meus pais me guiaram qual faróis…

Se hoje eu não mais sinto tristeza,
Se venci meu passado de pobreza,
Devo a eles, meus anjos, dois heróis!

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