Nas vinte e quatro horas que voaram,
Pouco de bom eu contabilizei;
Vi-as correr, mas nem imaginei
Que vinte e quatro horas se passaram!…
Que um dia inteiro foi-se tão inútil,
E eu nem me dei conta que, veloz,
Passou o tempo inteiro, assim, atroz,
E eu o desperdicei assim, tão fútil.

Não foi, e isso é o que mais lamento,
A vez primeira que ocorreu tal fato,
Mas desta vez senti tomar-me o impacto,
Passou depressa mais que o próprio vento…
Quando antes voava assim não percebia,
Porém com o tempo agora já apressado,
Com anos de velhice acumulados,
Não posso mais perder sequer um dia!

O jovem tem no dia de amanhã
A possibilidade que o premia
Com horas e mais horas, cada dia,
Para regozijar-se nesse afã…
Mas quem contempla o ocaso da velhice
Não pode mais perder uma só hora;
Preocupa-me que eu aja como agora,
Com atos que até beiram a cretinice…

Em breve há de perguntar a mim
O Pai, o Criador, o Deus Supremo,
E é esse o momento que mais temo,
Agora que já sinto estar no fim,
Que fizeste, querido, da oferenda
Dos anos que, na Terra, te leguei,
(Sabendo que eu só os desperdicei),
Da vida que te dei como uma prenda?

Por que jogaste a tua vida fora?
Agora já não tens mais solução,
Cansado está teu pobre coração,
E pouco irás sobreviver agora…
Tua alma deve ir para o descanso
Meditar sobre os males que deixaste,
Pois a vida no lixo tu jogaste
E findou-se o teu tempo de remanso…

Um dia voltarás, num recomeço,
Porque tua nova vida será em breve,
Com fardo mais pesado, porque o leve,
Sempre o levaste tendo pouco apreço;
Quando outros pais te aceitem, em novo exílio,
Renascerás aqui entre o teu povo,
E espero que não vás fazer de novo,
Os erros que fizeste,  caro filho.

Embora mais difícil,  te darei
Recursos de riqueza e de vigor,
Esperando que tenhas bom labor,
Para então viver bem junto a tua grei.
Ao final, quando te virei buscar,
Espero estejas amadurecido
E à vida muito mais agradecido,
Conjugando de cor o verbo AMAR!

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