Desejava explicar-te, mas não deixas,
A razão de eu ter certas atitudes,
Pois tudo aquilo que julguei virtudes,
Para ti só serviram como queixas…
Eu julgava que tendo tal respeito,
Limitando-me apenas à amizade,
Teria uma reciprocidade,
Porque pensava que isso era o direito.

Razão porque sequer ousei tocar-te,
Apesar de ter sempre o teu carinho,
Porque temi, por fim, ficar sozinho,
Se acaso eu viesse a macular-te…
Apesar de fazer-me teu brinquedo,
Eu creio, fui ingênuo acovardado,
Porque sempre que estava do teu lado
Se não te cortejei foi só por medo!

Por me sentir já na senilidade,
Temia que o ridículo pudesse
Comprometer-me e que tu me dissesses,
Não vês a diferença em nossa idade?!
Por isso é que fiquei, mesmo evidente,
Distante de um carinho tão sincero,
O que me fez perder um bem que eu quero,
Por ter sido julgado erroneamente!

Não penso em reviver nossa amizade,
Porque na vida é geralmente assim,
Depois que algo sublime chega ao fim,
Nunca merece outra oportunidade.
Não faz mal. Porque eu, neste momento,
Estou consciente daquilo que fiz,
Mas se não te ajudei a ser feliz
Fica aqui registrado o meu lamento!

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