Se as asas do vento pudessem levar
Ao fundo do mar, para purificá-lo,
O homem depressa, num sopro, num halo,
Também poderia elevar-se no ar…

Já não mais teria de viver capengando,
Pois leve, esvoaçando, se transportaria
E toda tristeza então findaria,
Nesse homem pequeno que vai se arrastando;

Mas é o grande peso que tem na consciência,
Que com inclemência lhe impede a leveza,
Porque a densidade da sua tristeza
É perante Deus, sua maior incoerência.

Este homem miúdo, não tem coração,
Trata mal o irmão neste seu cotidiano,
Escravo das dores é um homem profano,
Que em vez de voar se mantém preso ao chão.

Oh! alma cativa: decida-se agora!
Olvide de outrora, é um novo momento,
Liberte-se escravo, ouça o chamamento,
O doce convite do Pai nesta hora.

A felicidade lá fora batendo,
Você ensurdecendo nunca lhe abra a porta;
O Plano Divino já não mais suporta,
Vê-lo miserável, angustiado, sofrendo!

O mundo acelera e o homem se atrasa;
Constrói nova casa, onde possa morar,
Caminha depressa, sem mais esperar,
O céu desabando na Terra que abrasa!

O vento passando de asas abertas,
Em horas incertas, quer dar-lhe carona
Para que  a corrida, tal qual maratona,
Deixe sempre os homens despertos e alertas.

Os ventos em breve serão os tufões,
Onde as multidões sofrerão os impactos,
E este convite, até agora, pacato,
Trará desesperos e desilusões.

Despeço-me agora! Já disse o que pude…
Eu volto, amiúde, a falar novamente
Quem sabe eu consiga a atenção dessa gente
Que quer, finalmente, ganhar mais virtude.

 

Anúncios