Meu caro Papai Noel
Escrevo-lhe este papel
Pra contar que sou feliz!
Não preciso de presente,
Pois vivo muito contente,
Tenho até mais do que eu quis.

Quando eu era inda um menino,
Do tipo meio franzino,
Eu não entendia bem…
E ao chegar o Natal,
Como um garoto normal,
Queria um carrinho, um trem…!

Mas o pai, um operário,
Com aviltante salário
Apesar do duro embate,
Só dava balas de mel
E sua imagem, Noel,
Pequena, de chocolate.

Nas paróquias do lugar,
Nas filas ia buscar
Um brinquedo de lembrança,
Voltava, mirando o céu,
E me entregava o troféu
Sorrindo como criança.

Hoje, acabou a ilusão;
Dispenso os prazeres vãos,
Pois tenho Deus como amigo.
Meus pais foram meu presente
E seus exemplos, na mente,
Conservo-os todos comigo.

Diante desses bens eternos
– meus benfeitores paternos -,
Dispenso quinquilharias.
Pra quem tem mais que o sonhado
O resto, sofisticado,
Não passa de ninharia.

Tudo o que brilha e é dourado,
Quando não acaba quebrado,
Um dia vira fumaça.
Eu ganhei a educação,
O presente que o ladrão
Não rouba, nem come a traça.

Eu nasci em berço honesto,
E uma cena que detesto
É ver triste, abandonado,
Um menor numa mansão
Que carrega um coração
Solitário, amargurado…

Console o menino rico,
Enquanto, Noel, eu fico,
Rezando como jamais…!
Ele supõe ter bastante,
Mas falta-lhe o importante,
Que é o carinho dos pais.

Eu já tenho o que preciso,
Alegria e muito juízo
E fico grato ao Senhor!
Pode levar meu presente,
Dê a esse rico carente,
Que é tão faminto de amor!

Do livro “O Grande Mar”

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