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Olhando-me, com seus seios a pino,
Confesso que é difícil controlar-me…
Não sei se só faz isso como charme,
Ou quer embaralhar todo o meu tino!

Será que só me tem como um menino,
Do tipo inofensivo e, sem notar-me,
Não vê que está com isso a provocar-me,
Trazendo-me ilusão? Que desatino!

Eu sei que a minha idade a autoriza
A julgar que já sou inofensivo
E alguém que de um amor não mais precisa…

Mas digo-lhe que amor não tem idade
E ainda que eu não tenha um atrativo,
Eu tenho um coração que é de verdade!

POR SEBASTIÃO AIRES (*)

NA VEIA, UMA INJEÇÃO COM A SUBSTÂNCIA.
EMISSORA DE RADIOATIVIDADE –
UM “TRAÇADOR”, QUE TEM PROPRIEDADE,
DE GERAR DESLUMBRANTE ILUMINÂNCIA.

E BELA REAÇÃO DE CINTILANCIA
QUE, LENTAMENTE, O CORAÇÃO INVADE,
PROVOCA FOTOSSENSIBILIDADE
EM TOMÓGRAFO QUE CAPTA A RADIÂNCIA.

EMISSÕES EM IMAGENS SE TRANSFORMAM,
E, SOBRE O CORAÇÃO DADOS INFORMAM,
EM UM GRÁFICO MULTICOLORIDO.

MEU CORAÇÃO SENTIU-SE DEVASSADO,
MAS, NO TESTE BRILHOU, FOI APROVADO,
AINDA QUE ESTRESSADO E ENVELHECIDO.

(*) Médico em J. Pessoa-PB.
EM 6 DE MAIO DE 2009

Eu vou lhes contar sobre um cara operário,
Que tinha salário que dava pra nada!…
Ganhasse por hora ou fosse empreitada,
Só vida danada, pra o tal proletário…

Jamais recebeu o décimo terceiro
Nem viu o dinheiro da bolsa família
Nem vale comida, nenhuma partilha
Lhe deu a matilha, de ajuda, parceiro!

Mas ele assim mesmo construiu seu lar,
Tipo popular só de barro e tijolo,
Estudou os filhos, pois tinha miolo,
E não era um tolo; sabia lutar!

Nunca recebeu do governo um favor,
Mas o sofredor ajudou muito amigo,
Pois era-lhe o mundo um soberbo inimigo
Vivendo consigo, sem paz nem amor.

Esse foi meu pai que morreu ainda moço
Furou muito poço e até foi aviltado…
Ficou bem doente e depauperado
Pois todo acabado era só pele e osso!

Estava doente e caiu na armadilha,
Porque na partilha o mundo o esqueceu.
Aos cinquenta e quatro meu velho morreu,
Nos entristeceu, mas amou a família!

Não vejo graça em pensar
O que os outros já pensaram
Nem vejo graça em falar
O que os outros já falaram
Senão iremos chegar
Só onde os outros chegaram…

Vamos ser originais
E então pensar diferente
Poderá não ser melhor
Do que pensou toda gente
Mas será o nosso pensar,
Pois saiu da nossa  mente…

Tanto os loucos como os gênios
São sempre os inovadores
Não se entende o que eles dizem,
Porém são conhecedores
De conceitos diferentes,
Prestem atenção, meus senhores.

Se você vai só, na rua,
Não chuta a lata de lixo,
Nunca toca a campainha
Nem atira pedra em bicho,
Porém se estiver em turma,
Faz bagunça por capricho.

A unanimidade é burra,
Já diz antigo ditado,
Por isso é que é perigoso,
Um povo que é comandado,
Por um ditador fanático,
Metido e complexado!

Democracia é importante
Embora o povo extrapole
Seus limites para usá-la
E só defenda sua prole,
Mas ganha da ditadura
Que não é um regime mole.

É vaquinha de presépio
O que diz amém a tudo
É Maria vai com as outras,
Pois concorda, sobretudo,
Até com o que ignora,
Bem melhor se fosse mudo…

Vamos ter nossas ideias
E expô-las publicamente,
Para que as pessoas pensem
Se elas valem realmente;
E se valer, contribuam
No cotidiano da gente.

 

 

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.

E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconsequentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

Victor Hugo

Por Sebastião Aires de Queiroz – PB

As terras, pela seca, castigadas,
Abrem o ventre em sulcos ressequidos
Clamando, das entranhas abrasadas,
Em dolentes lamentos e gemidos

As pastagens outrora tão floridas
Já sucumbiram pelo sol crestadas.
Das árvores, as seivas já sugadas,
Restam galhos mirrados, retorcidos.

O campo é um cemitério a céu aberto,
De ossadas de macérrimos animais,
De fome e sede mortos no deserto.

Em desespero, choram os sertanejos,
Que  buscam ser ouvidos nos seus ais
Envoltos em soluços e em arquejos

Janeiro de 2013.

 

 

 

 

 

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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