Deixei minha terra, cidade que eu amo,
Porém não reclamo, saí foi porque quis,
Pois há mil lugares também bem bonitos,
Nestes irrestritos longínquos brasis.

Alguns no sertão, onde a seca é danada,
Outros na enxurrada da chuva impiedosa,
Mas todos sabemos, e ninguém contesta,
Que aqui tudo é festa e a pátria é formosa.

Há muita miséria, isso é uma certeza,
Mas a sua beleza suaviza a desgraça
E enquanto o homem luta fugindo das dores
Dos seus dissabores ele até faz graça.

Já beiro os oitenta e a vida me é boa.
Deixei a garoa do grande sudeste,
Vim pra João Pessoa, esta verde cidade,
Na hospitalidade do belo nordeste!

Gostei de ter vindo, pois sou bem tratado,
Estou integrado na vida do povo.
Se me perguntassem, saudoso, contudo,
Diria que tudo eu faria de novo.

Aqui tenho amigos de luz da cultura,
Muita criatura que gosta de mim,
Além de integrar-me ao Espiritismo
Sem o fanatismo de ser querubim!

Também já fiz rádio, aqui fiz teatro
Tendo a três por quatro, apresentado obra
De autores diversos, de filhos da terra,
Pois neles se encerra cultura de sobra.

Escrevi meus livros, já uma dezena,
Falei nas arenas e nos ateneus,
Por isso é que agora, para agradecer,
Só posso dizer que dou graças a Deus!

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