Nas dunas da areia, vejo o caramujo,
Alegre marujo; a praia é o seu porto!
E enquanto trafego meus pés vão marcando,
Por onde, passando, caminho absorto…

O mar vem buscá-lo e o leva consigo,
Porque é o seu abrigo e o transporta de volta,
Enquanto outros chegam flutuando nas ondas
De espumas redondas, rolando em revolta!

Um moto contínuo, um tempo sem fim,
Repetindo, assim, o labor sempre igual,
Pois nesse vaivém age a renovação
Na transmutação num mesmo ritual.

A maré está cheia metade do tempo
E neste entretempo começa a baixar!
E antes de voltar ela fica vazante
No seu próprio instante e sem nada mudar.

Cada grão de areia na praia, parado,
Hipnotizado acompanha, também,
O ciclo das águas azuis desse mar,
Sempre a borbulhar nesse seu vai e vem!

Hospeda sereias a praia arenosa,
Sempre tão formosa refletindo o sol;
É ali que a banhista vem se espreguiçar
E o corpo bronzear, até vir o arrebol.

Assim Deus se expressa para os filhos seus,
Podem ser ateus ou alguém diferente,
Porque a natureza não tem prioridade
Por raça ou idade, por crente ou descrente.

A noite já chega e o cenário escurece…
Mas nunca emudece, e até o sol de amanhã,
As águas que vão e as águas que vem,
Seguirão, também, nesse seu louco afã.

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