Lá em cima, Senhor,
o céu quase sempre
reflete tua paz,
teu imenso amor:
nas cores que usas,
azuis onde abusas
de estrelas, de luz!
Azuis onde nuvens
de gelo e leveza
deslizam e desfilam
o branco mais puro,
mesclados cinzentos
e doces rosados
de ouro bordados
ao brilho do Sol.
O ocaso inflamado
em vermelhos, dourados,
– nos deixa embriagados
com tanta beleza!
Senhor, com certeza,
teu pincel proclama
o quanto nos amas. 

Cá embaixo, tuas bênçãos:
a chuva e a terra
transformando o tempo
em vida, em cores,
em frutos, em flores,
em doces aromas
na brisa, no vento;
em águas que cantam,
saciam, encantam!
Toda a criação
– em renovação –
reflete o imenso
afeto que sentes
ao dar tanto amor
e paz para a gente.

E nós? Ai, Senhor!
Na ambição intensa
– que estranha impotência:
pra viver em paz, para dar amor,
para preservar, para agradecer.
Que cegueira imensa – para não Te ver;
que ouvidos surdos – para não Te ouvir;
que dificuldade – para repartir!

O gosto de versejar
Escrevo, e simplesmente,
não sei se sei explicar
meu gosto por versejar:
dor, cansaço, desabafo,
emoção, necessidade,
que chegam a incomodar
se não correm pelos dedos
em versos, rimas, cantar.

Escrevo porque é meu jeito
de sonhar e partilhar
com quem sente, canta e ama,
com quem traz dentro do peito
mesmo jeito de sentir,
mesmo jeito de sonhar.
Escrevo porque é meu jeito
sincero de derramar
em versos tolos, rimados,
serenos, preocupados,
ridículos, apaixonados,
– alegrias e tristezas.
Jeito de rever a vida
e rever minhas certezas. 

Talvez possa aborrecer
os que não podem entender
os que não sentem comigo;
mas o gosto de escrever
é como um ombro amigo
– deixa a solidão mais leve,
suaviza a dor e a saudade,
faz meu tempo mais curto
e a minha estrada mais breve.

Autora: Maria Toledo Arruda Galvão de França

 

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