Eu vou lhes contar sobre um cara operário,
Que tinha salário que dava pra nada!…
Ganhasse por hora ou fosse empreitada,
Só vida danada, pra o tal proletário…

Jamais recebeu o décimo terceiro
Nem viu o dinheiro da bolsa família
Nem vale comida, nenhuma partilha
Lhe deu a matilha, de ajuda, parceiro!

Mas ele assim mesmo construiu seu lar,
Tipo popular só de barro e tijolo,
Estudou os filhos, pois tinha miolo,
E não era um tolo; sabia lutar!

Nunca recebeu do governo um favor,
Mas o sofredor ajudou muito amigo,
Pois era-lhe o mundo um soberbo inimigo
Vivendo consigo, sem paz nem amor.

Esse foi meu pai que morreu ainda moço
Furou muito poço e até foi aviltado…
Ficou bem doente e depauperado
Pois todo acabado era só pele e osso!

Estava doente e caiu na armadilha,
Porque na partilha o mundo o esqueceu.
Aos cinquenta e quatro meu velho morreu,
Nos entristeceu, mas amou a família!

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