Vana

Para Silvana Caúmo, que virá dia 4/7/2013 visitar-me em João Pessoa

Tive um dia uma surpresa:
Apareceu-me uma prima
Que me achou pela internet
E ainda disse, por cima,
Que eu parecia o pai dela!
Vou lhes contar tudo, em rima.

Começou a pesquisar,
Pois desejava saber
Notícias sobre o pai dela,
Que mal pode conhecer,
Porque quando era menina,
Ele veio a falecer.

Com base em nomes e fatos,
Soubemos que era meu tio,
Um dos irmãos do meu pai,
Que morreu muito doentio,
E era o pai dessa moça
De tão suave feitio.

Ela ficou deslumbrada
Por saber de novidades
Do pai que mal conheceu,
Pois estava em tenra idade
E eu trabalhei com ele
Na minha velha cidade.

Ele era um açougueiro
E eu o ajudava naquela
Casa de carne em São Paulo
E depois numa “magrela”
Eu ia, de madrugada,
Entregar à clientela.

Dali eu ia pra o colégio
Ginásio Ateneu Brasil.
Ás vezes dormia na sala
Sentindo-me até febril,
Cansado da noite inteira,
Com meu esforço infantil.

Mas como compensação,
O tio sempre me ajudava
E antes de irmos pro açougue,
Na padaria ele comprava
Pizza. Um pedaço pra ele
E um  outro  que ele me  dava.

E num sábado por mês,
No dia do pagamento,
Eu comprava uma bisteca
Para ajudar no sustento
Dos pais, do irmão e do meu,
Porque era fraco o alimento.

Contei pra ela que nós
Também vendíamos pipoca,
Amendoim e pinhão,
Além de muita paçoca,
No Jardim da Aclimação
Ou em alguma biboca.

Hoje nós somos amigos,
Falamos constantemente;
Os e-mails são trocados,
O que nos deixa contentes,
Agora ela prometeu
Vir me ver mui brevemente.

Confesso que estou ansioso,
Por que, afinal, ela tem
Metade da minha idade
E embora longe dos cem,
Não sei se para passearmos
Eu vou ter pique também!

Mas seja lá como for,
Quero ver essa parente
Que nesta altura da vida
Me apareceu de repente
E quem sabe ela me aceite
Como um primo diferente!

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