Me ensinaste desvarios
E eu te mostrei devaneios;
Te embriagaste nos meus cios,
Mergulhei nos teus anseios…

Me chamaste, delirante,
Nos teus gestos arrojados,
E eu respondi, murmurante,
Com delírios tresloucados!

Tu me amaste no sussurro
E eu sufoquei o meu grito,
Como um doido e bom casmurro,
Que não pensa e vive aflito…

Mas no fim que sobrou disso?
Tudo só endoidecimento,
Coração todo enfermiço,
Sem compasso em batimento…

Ainda bem que está plasmado
Esse tempo que extasia;
Se não jaz eternizado
Também não foi fantasia…

Tudo louco e natural,
Tão feliz, tão espontâneo,
Que mesmo sendo anormal
Não foi nada extemporâneo.

Consciente? Não sei se foi,
Mas não foi irresponsável,
Nem algo que se destrói
Porque foi muito agradável.

No calor de um forte abraço,
Entre beijos mordiscados,
Repousando em teu regaço
Vi neurônios revirados…

Mas, enfim, a apoteose,
Que findou com as emoções;
E da terna simbiose,
Só mesmo recordações!…

Hoje, em 1950, fui testemunha ocular do Maracanazzo. Brasil 1, Uruguai 2. A vida é assim; não se pode ganhar sempre.

 

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