Sou um cara muito antigo
Do tempo que só existia
Exames por raio X,
Chamados radiografia,
Porque não havia ultrassom
Nem mesmo  tomografia!

Ressonância magnética?
Isso ninguém conhecia,
Dentista arrancava os dentes
Quase sem anestesia
E tratava do canal,
Com uma dor que doía!…

Não havia especialista
Pra cada órgão da gente;
Hoje vem laser por trás
E bisturi pela frente,
E o que sempre foi normal
Agora está diferente!

A gente morria mais cedo,
Porém era mais feliz;
Ninguém ouvia falar
As coisas que hoje se diz
Sendo a psicologia
Dona do nosso nariz!

Há tanta gente que estuda,
Faz mestrado, doutorado,
Depois vai prestar concurso
Para ficar encostado,
Ser secretário ou Ministro
De governo esculhambado.

No meu tempo, eu ia de bonde
E o metrô foi novidade!
Transporta o povo depressa
Pelos bairros da cidade,
Porque ela vive entupida
Com o excesso de humanidade!

Para ir não sei aonde…
O dia hoje está curto
Por isso é que todo mundo
Só vive à beira de surto,
Desviando de acidentes
E escapulindo de furto!

Mas ninguém tema por nada
Porque os acontecimentos
Fazem parte de um processo
Que cria o aprimoramento
E já vem desde Cabral,
Quando do descobrimento!

Cuide só para manter
A paciência necessária,
Para viver protegido
Da humanidade falsária
Porque essa corrupção
Mata mais do que a malária!

Destrói bem mais do que o infarto,
A Aids, câncer e os traumas
Porque se estes matam o corpo
Os outros destroem a alma
E só vence nesta vida
Quem sabe viver com calma!

Aquele que está ao seu lado,
Com quem você tem vivido,
É também um egoísta,
Seja irmão, seja marido;
Quer seja esposa ou colega,
Pode já tê-lo traído!

Mas apesar disso tudo,
Confiança é a lei vigente;
Confiar em Deus e em todos
Pra viver serenamente,
Porém simples como a pomba
E  astuto  como a serpente!

 

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