Observe a lagarta como é feia,
Peçonhenta, que dá repugnância;
E uma aranha, que mora atada à teia,
Construída de sua própria substância…

Um dia esta lagarta, com elegância,
Será uma borboleta e, volta e meia,
Se enroscará na teia, e com sua ânsia
De libertar-se, esbate-se e tonteia.

Assim também ocorre com os vaidosos,
Que flautam pela vida pretensiosos,
Sem ver que passo a passo, dose a dose,

Rumamos ao futuro, e bem depressa,
Pois logo que nascemos já começa
O fenômeno da metamorfose!…

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