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Por oitenta e sete anos,
Você, meu caro Ariano
Viveu carregando cruzes;
Hoje sem mais desenganos
Deixou o tempo profano
E entrou no mundo das luzes.

Dedicou-se, e após um treino,
Criou a “Pedra do Reino”,
Grande marco de sua vida,
Deixando a esta humanidade
Inda outra preciosidade:
“O auto da compadecida”.

Dava aula e ria dos “causos”
Quando recebia os aplausos
Dos homens mais eruditos;
Pela nossa juventude
Era saudado, amiúde,
Com muitas palmas e gritos!

Tinha temas de cordel
Porque era o seu papel
Valorizar o sertão;
Hoje Ariano, calado,
Por sua arte é lembrado
Na nossa grande nação.

Não morreu: está de férias;
Afastou-se das matérias
E agora, imortalizado,
No mundo da sutileza,
Demonstra toda a nobreza
De quem é eternizado!

Meditemos com mais calma
Sobre os valores da alma
De quem só teve humildade;
Apesar da competência
Demonstrou sempre coerência,
Com sua simplicidade.

Ria de tudo e mangava
Da voz rouca que ostentava
Blagueando de si mesmo,
Dizendo coisa engraçada,
Mas sem vulgar palhaçada
Nem gastar conversa a esmo.

Foi para mim privilégio
Conviver com este egrégio
E reconhecido artista;
Com ele a glória se irmana
Porque jamais morre a fama
Que a competência conquista!

 

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A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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