Publicado no Jornal O Norte, da Paraíba, em 15/10/97. Eu tinha só 63 anos.

A cada 15 de outubro, recordamo-nos dos professores do nosso tempo. E não se trata de saudosismo piegas, mas da saudade que sentimos daqueles que nos iniciaram na vida, completando com nossos pais a equipe que tinha por meta educar-nos e transformar-nos em homens!

Sexagenário que sou, conservo indelével a fisionomia, a voz, a brandura e a braveza de cada professora primária e de cada mestre secundário. Cada um, impecavelmente trajado; as mulheres com vestidos ou tailleurs e os homens de paletó e gravata. E os alunos mantinham respeito e admiração pelos que lhes ofereciam o conhecimento. Regozijavam quando o aluno interessado assimilava as informações e enriquecia a sua bagagem cultural.

Não eram ricos e nem me consta que tivessem vida fácil. Mas não eram menosprezados como hoje, seja qual for o ângulo pelo qual se os analise. O professor primário, e mesmo o secundário, na maioria das vezes tem salário menor do que o de uma doméstica sem alfabetização. Mesmo o docente universitário, medindo-se pela competência e importância do que ensina, não recebe o justo valor pelo trabalho.

Infelizmente, não é apenas nesse aspecto que o professor é desrespeitado. Os próprios alunos têm comportamento inconveniente e ao não demonstrar interesse pelas aulas estão agredindo o empenho daqueles que querem melhorar a juventude deste país. Estudam o suficiente para a promoção porque seus objetivos se concentram nas futilidades.

Apesar de tudo, proponho que camuflemos este lado desagradável e rendamos homenagem aos profissionais da cultura, para estimulá-los, porque mesmo ganhando misérias não deixam macular a sua arte de ensinar. Fazem trabalho missionário, de vocação inerente a poucas profissões, porque o materialismo cede espaço ao ideal que se coroa a cada fim de ano, quando a turma se desfaz e, promovida ao degrau seguinte, segue na trajetória ascendente rumo à sublimação intelectual, levando consigo um pedaço de seus mestres. 

Parabéns a todos os professores, porque este artigo que escrevi nove meses depois de chegar para viver em João Pessoa, ainda continua atual. E já decorreram dezessete anos de promessas políticas nunca realizadas. E hoje o professor ainda tem mais um inimigo dentro da classe: o celular.
Octávio Caúmo Serrano.

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