Encerradas as eleições, as urnas revelaram cinquenta por cento para cada lado; situação e oposição. E a pergunta do título é: é agora?

Resposta: agora nada. Agora esperar que os resultados que deixaram o poder na corda bamba possam fazê-lo pensar e reviver muitas de suas decisões, consciente agora que o povo está “meio” descontente, já que cinquenta por cento disse “não” ao atual estado de coisas.

Os que votaram contra o governo estão revoltados e se perguntando sobre as recentes falcatruas e se elas ficarão por isso mesmo. Indagarão se os condenados não cumprem penas mais brandas do que um delinquente comum, já que estão cheios de privilégios!

Não é novidade que o poder econômico é mais forte do que o moral; mas nos dias atuais, de mídia ágil e moderna, com redes sociais mostrando a sujeira que estava sob o tapete, os escândalos vêm à tona e parece que vivemos o momento de maior desonestidade da história. Mas isto sempre existiu, desde o descobrimento; e agrava-se, também, porque o Brasil já não é mais aquela republiqueta, parte do quintal dos americanos, conhecida como América Latina.

Se os desonestos não são punidos, como ficam? Lamentavelmente, para eles, ficam na pior situação que um homem pode estar. Têm o caráter manchado com falcatruas indeléveis que nem o tempo apaga. Permanecem para sempre com registros em sua alma que os deixam de consciência pesada. Ao se olharem no espelho, em vez de ver à sua frente um homem de bem, respeitado por amigos, pela família e pelos filhos que tinham nele o modelo para o seu futuro, estarão contemplando um crápula, oportunista, fraco e desonesto, que um dia se julgou o mais esperto dos mortais. Ao dormir, seus sonhos são pesadelos. Seu futuro está castrado. Perderam o que o homem tem de mais precioso: a credibilidade. Quer maior pena que essa?

Quando aos que se julgam cidadãos decentes, que façam uma autoanálise para constatar se podem realmente se considerar honestos em todos os sentidos; se confirmado, permaneçam firmes nas suas convicções de pessoas íntegras, fazendo a parte que lhes toca. Não se detenham apenas a criticar o errado quando podem construir o certo. Quem não puder ajudar a melhorar a sociedade, que, pelo menos, seja um canalha a menos. Já será grande contribuição para melhorar o mundo!

Octávio Caúmo Serrano – jornalista e poeta

Publicado no dia 7/11/2014. – Correio da Paraíba

 

Anúncios