Octávio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

Como a maioria dos brasileiros nascidos há oitenta anos, eu fui batizado no catolicismo, a religião tradicional do país; e todos devem ter uma. Mesmo sem ter sido um praticante, sou grato porque foi por ela que conheci Deus, Jesus e Maria Santíssima. Mas com o tempo, diversificaram um pouco os caminhos da fé do nosso povo, embora o final seja o mesmo.

Em 1974, “por acaso”, conheci a Doutrina Espírita. Sem ter mente brilhante, também não me tenho como ignorante. Como aprecio o pensamento lógico e o bom senso, decidi aprofundar-me nessa religião, que tem também um pouco de filosofia e de ciência. Não tinha problemas além dos normais; meu desejo era apenas conhecer. Comecei a ler o livro que organizou o Espiritismo, O Livro dos Espíritos, e vi nele respostas para muitos dos meus questionamentos.

Sob o lema: “fora da caridade não há salvação”, vi que ele não se preocupa com a crença das pessoas e até afirma que “a boa religião é a que melhora o homem”. Não tenta converter ninguém. Diz mais: “reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar as suas más tendências.” Não é pela mediunidade, nem pelos passes que aplica ou palestras que profere, mas pela luta por sua reforma interior para ser homem de bem. Nada cobra pelo que oferece; nem aulas, nem passes, nem orientações.

Homens ilustres, como o médico cearense Adolfo Bezerra de Menezes e o jornalista paulista, de Avaré, José Herculano Pires, para citar apenas dois exemplos, decidiram ler o livro depois de presenteados por amigos. Tornaram-se espíritas convictos. Este último, que se tornou espírita aos 22 anos de idade, chegou a traduzir obras do francês para a nossa língua.

Não nos preocupam eventuais críticas contra a doutrina porque ela não se abala nem precisa da nossa defesa; mas lamentamos os comentários feitos pelos que a desconhecem e não têm, portanto, autoridade para julgá-la. Era preferível que estudassem cuidadosamente o Livro dos Espíritos, e de reforço O Evangelho Segundo o Espiritismo, todo ele fundamentado nas orientações de Jesus, para só depois apontar os erros que encontrassem nas obras. Mesmo como curiosidade! Poderão até beneficiar-se daquilo que hoje menosprezam. É mais inteligente!…

Quem desejar dialogar sem preconceitos, estamos aqui, identificados e às ordens. Mas primeiro conheçam; antes disso, será leviandade falar mal; talvez espalhem inverdades.

Que o Senhor da Vida nos dê discernimento e nos proteja!

Jornalista e poeta

Publicado no Correio da Paraíba de 18/11/2014.

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