Octávio Caumo Serrano – caumo@caumo.com

O egoísmo está presente na nossa vida desde que nascemos. Afinal até os verbos são conjugados na forma eu, tu, ele; primeiro sempre eu.

Observem como as pessoas constroem as frases. Eu, minha mulher e meu filho, saímos de férias; eu e o meu amigo, fizemos o trabalho. O eu começa as frases e se os demais forem esquecidos não importa. O eu está lá firme e soberano!

Esta egolatria inconsciente é o espelho da nossa inferioridade. A falta de educação que observamos até nos noticiários, coloca também, além desse culto ao ego, o nome do homem habitualmente antes da mulher. O cavalheiro é todo qualificado, inclusive profissionalmente, para elevá-lo e distingui-lo, deixando a parceira como mero apêndice. “O Dr. Fulano de tal, médico, especializado em terapias transcendentais, etc., e sua cicrana, na festa do casamento.” Que menosprezo! Normalmente, nem sobrenome ela tem. Esquecemo-nos das máximas evangélicas “os últimos serão os primeiros” e “quem se exalta será humilhado”.

Isto se deve ao nosso desconhecimento dos mecanismos para relacionar-nos com Deus e com o semelhante. É comum entre namorados um pedir ao outro: “diz que me ama; eu preciso tanto de você.” Não cogita das necessidades do outro. Quando a mulher fica viúva, normalmente lamenta e diz “o que vai ser de mim agora?” “Ele não podia ter feito isso comigo!” Não lhe interessa o inverso: “o que será dele agora?” “Como irá se ajustar à nova “vida?”…

Quando Francisco de Assis nos deixou a oração que diz “é dando que se recebe e perdoando que se é perdoado”, entendemos que precisamos dar algo para depois receber de alguém a compensação, ou perdoar primeiro para merecermos também o perdão do outro ou de Deus. Mas não foi que o santo ensinou. Nós é que não entendemos nada! Não funciona assim.

Ao perdoar o outro, é a nós mesmos que perdoamos porque tiramos de dentro de nós mágoas que o outro provavelmente nem sinta. Quando amamos, produzimos primeiro no nosso íntimo o amor que oferecemos. Ninguém dá o que não tem. Se o outro não receber, nós já o temos por iniciativa própria. O cantor Júlio Iglésias disse numa de suas canções: “Não penses que te guardo algum rancor, é sempre mais feliz quem mais amou e este sempre fui eu.” Daí, preferível amar a ser amado! Difícil entender?

Dizia o nosso velho e bom Chico Xavier: “Fica sempre um pouco de perfume na mão de quem entrega flores.” Está claro, agora? Nossa alegria ninguém sente por nós!

Jornalista e poeta

Publicado no Jornal Correio da Paraíba em 1 de janeiro de 2015.

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