Missa dominical.
Os jovens pais, ao meu lado, assistiam, compenetrados, aos ritos eucarísticos, enquanto o filhinho, de quatro ou cinco anos, dormia mal sentado, tendo o braço da cadeira com desconfortável travesseiro.
O intenso calor de verão umedecia de suor a cabeleira da criança.
De repente, a mãe fez uma pausa nas preces murmuradas, inclinou-se sobre o filho e começou a soprar sua cabecinha, ao tempo em que velava, carinhosamente seu sono.
Arejados pela “brisa” carinhosa e refrescante, os cabelos do menino se abriam e esvoaçavam, suavemente.
Antes inquieto, seu sono, então, se fez calmo e aprazível.
Entre um sopro e outro, a mãe o acariciava com ternos beijos.
Esses gestos enternecedores de carinho e de amor maternal me tocaram profundamente.
Da comovedora cena poética fiz um flagrante em minhas retinas cansadas de velho pai, avô, bisavô e pediatra. (Em tempo: Pediatra tem coração maternal).
Sim. Ao menos na imaginação, achei que consegui fotografar e reter, na película da visão, o verdadeiro amor como substantivo concreto.
E pensei: Jamais o amor maternal foi ou poderá ser um substantivo abstrato! 
Sebastião Aires de Queiroz – Cad. da “APP”.
João Pessoa-PB, 18.01.2015.
 
 
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