Natalino Pereira – São Paulo – Março de 2015

Se é dor pungente que não tem remédio
Nas drogarias dos mares da existência.
E perdes remos, sentes-te à deriva,
Desanimando-te o retorno à ativa.
No desalinho, beiras a demência.
E na marola, solidão e tédio.

E numa espécie de prazer sem tino,
Teu pensamento na desdita insiste.
Atribulado, triste, solitário,
Eleges esse fato por fadário.
Sentes distante o porto onde partiste
E já nem sabes qual era o destino.

O mundo é mesmo um manicômio-escola,
Para quem só admira o próprio umbigo.
Pois quem promove bem estar ao semelhante,
Esquece, e a própria dor fica distante,
O amor ao próximo é seu melhor abrigo.
Vira bombeiro, socorre mar afora.

 

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