Octávio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

“Quem tem fama, deita na cama”, diz o povo. Por isso, Rio e São Paulo são tidas como as cidades mais violentas do Brasil. Todavia, em recente e triste estatística, quando a ONG Conselho Cidadão pela Seguridade Social Pública e Justiça Penal, do México, apontou a existência de dezenove cidades brasileiras entre as cinquenta mais violentas do MUNDO, ou seja, 38%, entre elas não estão as duas acima mencionadas.

San Pedro Sula, em Honduras, na carente América Central, é a líder deste ranking que envergonha a humanidade. Ocupa esta posição há quatro anos, seguida da bela Caracas, capital da Venezuela, da linda Acapulco, México, e da verde João Pessoa (4ª), com 640 mortes em 2014. A primeira do Brasil. Ademais, preocupa-nos ver cidades brasileiras tranquilas, que serviam de modelo de vida, como Porto Alegre e Curitiba, estrearem este ano nesta lamentável relação.

Entre as brasileiras, que é o que nos interessa analisar, além de João Pessoa, estão Maceió (6ª) Fortaleza (8ª) São Luiz (10ª), Natal (11ª), Vitória (15ª), Cuiabá (16ª), Salvador (17ª), Belém (18ª), Teresina (20ª), ( Goiânia (23ª), Recife (29ª), Campina Grande (30ª), Manaus (33ª), Porto Alegre (37ª), Aracajú (39ª), Belo Horizonte (42ª), Curitiba (44ª) e Macapá (46ª).

Do exterior, os Estados Unidos colaboram com quatro cidades, México com meia dúzia e Colômbia com outro tanto. O Brasil ganhou esta triste estatística, de goleada.

Foram contempladas todas as regiões brasileiras, subordinadas ao mesmo poder central. As violentas Chicago, Nova Iorque, Washington, São Paulo, Rio, Bogotá não estão entre essas cinquenta. Nem nos miseráveis países africanos, ou nas belicosas regiões onde se digladiam árabes e judeus, nem na Índia com a sua miserável Calcutá, há o que temos por aqui. Realmente, o Brasil está cada vez mais doente! Mas só nos preocupamos com a inflação e o PIB!

Algo não vai bem por aqui onde o Apocalipse age com mais força. E como o Espiritismo diz que somos o Coração do Mundo, a Pátria do Evangelho, nossa paciência, resignação e, por que não dizer, nossa reação, têm de ser aumentadas. Lembremos a questão 932 de O Livro dos Espíritos (1857): “Por que, no mundo, os maus quase sempre exercem maior influência sobre os bons?” Resposta, “pela fraqueza dos bons. Os maus são intrigantes e audaciosos e os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, predominarão.” Pena que nos falte coragem!

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba de 17 de março de 2015

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