Ainda ecoam em meus ouvidos
Os bemóis e os sustenidos
Das canções e cantadores,
O ponteado dos violeiros
Dos marimbaus, sanfoneiros,
Do verso cheirando a flores…

Ali o respiro é a poesia,
Que se espalha em nostalgia
Por todo o ar, na secura,
Na rogativa com mágoa
Que implora a Deus mande água
Para voltar a fartura…

Deus abençoe São José
Do Egito onde mesmo fé
É dita com emoção;
E a criança que aparece
Aprende logo que a prece
É a poesia em oração!

Foi noite de enlevamento,
Foi pausa no sofrimento
Calou-se um pouco a matéria
Enquanto a alma bebia
O requinte da poesia
Que ali é uma coisa séria.

Pude ter o privilégio
De conviver com esse egrégio
Ambiente de cultura
Por uma noite, somente,
Mas que foi o suficiente
Para elevar-me às alturas.

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