Por Sebastião Aires de Queiroz

Meu caro amigo poeta.
Não quero mais clinicar –
Depois dos oitenta e um,
Acho que se impõe parar -,
Mas sempre que cliniquei,
Meus versos eu sempre usei
Para aos clientes tratar.

Sobretudo usei mensagens
Para fazer prevenção
De muitas patologias
Que atingem a população.
E, assim, como pretendia,
Fiz do verso ou poesia
Bons instrumentos de ação.

Versejei o Diabetes,
A Dengue e a Hipertensão;
A Influenza, grave gripe;
AIDS, vil infecção;
Combati o Tabagismo
As drogas e o alcoolismo,
Cumprindo minha missão.

Fiz um cordel sobre AIDS
E outras doenças venéreas;
Um poema sobre o aborto,
De sequelas deletérias;
Rimei o câncer de mama,
Mal que tem a triste fama
Nas consequências funéreas.

Rimei a “Peste Bubônica”,
Bem como a “Febre Amarela”;
O “Cobreiro” traiçoeiro
(Eu mesmo padeci dela);
Quanto à fisioterapia
E a fitoterapia –
Versejei  cada uma delas.

Fiz poema sobre o estresse
E o viver cotidiano;
Versejei a acupuntura,
Poema de que me ufano.
Fiz versos sobre velhice
Sem achaque ou rabugice,
Tão comum no ser humano.

Sempre usei, na profissão,
Mensagens espirituais,
Que são boas terapias,
Mesmo em males corporais.
A psicoterapia
E a ternuraterapia
Complementam as demais.

Fé e espiritualidade –
Assim concebe a ciência –,
Na moderna medicina
Tem decisiva influência.
Afugentam malefícios
E promovem benefícios.
Confortam nossa existência.

Na tensão ou ansiedade,
Uma boa terapia
Será prescrever meus versos,
Que ao paciente alivia.
Mas se um bom sono chegar,
São “cantigas de ninar”,
Úteis à noite ou de dia.

Se voltasse a exercer
Novamente a profissão,
Eu chamaria um poeta
Pra ajudar-me na missão
De ministrar poesia
Como eficaz terapia
Do corpo, alma e coração.

Médico e poeta – Membro da Academia Paraibana de Poesia

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