Um poeta da pesada.

Rogaciano Bezerra Leite, autor de um só livro, “Carne e Alma”, é de Itapetim, no Pajeú pernambucano, onde nasceu em 1920. Jornalista, escreveu em muitos periódicos do nordeste e formou-se em letras clássicas em 1949, em Fortaleza-CE. Entre 1950 e 1955 viveu em São Paulo e Rio. Foi pracinha na segunda grande guerra, na Itália. Seu poema “Os trabalhadores”  está transcrito como monumento na Praça Central de Moscou, na Rússia. Nome elogiado por Ariano Suassuna, Gilberto Freyre, Assis Chateaubriand, Jorge Amaro e outros.  Cantou para os presidentes Jânio e João Goulart e governador de São Paulo, Ademar de Barros. Pode-se dizer que foi o introdutor da cantoria de viola nos meios aristocráticos brasileiros.

Autor do poema Cabelos cor de Prata, sucesso musical por Silvio Caldas, Nelson Gonçalves, Francisco Petrônio, Carlos Alberto e outros.

Reproduzimos um soneto bem singelo, mas muito tocante. Bom para os tempos de crises. Confiram:

Sorrindo e cantando

Quando falas porque vivo sorrindo,
Falas também por eu viver cantando;
Se a vida é bela e se este mundo é lindo,
Não há razão para eu viver chorando.

Cantar é sempre o que fazer eu ando;
Sorrir é sempre o meu prazer infindo.
Se canto e rio é porque vivo amando,
Se amo e canto, é porque vivo rindo!

Se o pranto morre quando nasce o canto,
Eu canto e rio para matar o pranto
E gosto muito de quem canta e ri…

Logo bem vês, por estes dotes meus,
Que quando canto estou pensando em Deus
E quando rio, estou pensando em ti…

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